Aveiro

Confessa homicídio mas diz que espetou faca "sem querer"

Confessa homicídio mas diz que espetou faca "sem querer"

Um homem, de 62 anos, confessou no Tribunal de Aveiro ter esfaqueado mortalmente a ex-companheira, de 60 anos, durante uma discussão com a vítima, mas disse que não foi intencional.

O crime ocorreu na manhã do dia 10 de agosto de 2016, junto ao terminal TIR-TIF, na Gafanha da Nazaré, em Ílhavo, onde o arguido e a vítima se encontravam ocasionalmente para terem relações sexuais.

"Foi um autêntico filme de terror. Ela pegou numa faca de cortar fruta e disse-me para sair de cima dela. Quando lhe tirei a faca da mão, espetei-a no corpo dela sem querer. Só dei por ela, quando vi que ela estava a deitar sangue", disse o arguido, que falava na primeira sessão do julgamento.

O sexagenário, que está acusado de um crime de homicídio e outro de profanação de cadáver, negou ainda ter apertado o pescoço à mulher para a asfixiar, como refere a acusação do Ministério Público (MP).

Após a agressão fatal, o arguido saiu do carro, atirou a faca para longe e vestiu a mulher para a levar ao hospital.

"Tentei socorrê-la, mas quando cheguei à rotunda, ela já não respirava. Fiquei apavorado", disse o arguido, adiantando que seguiu na viatura da vítima para a sua casa, em Cacia.

O homicida admitiu ainda que lhe passou pela cabeça incendiar o carro da vítima, mas não teve coragem para o fazer, e afirmou que nunca pensou em desfazer-se do corpo.

Contou ainda que no dia seguinte ao crime, de manhã, fez uma mala com roupa, porque sabia que ia ser preso. "Estava à espera da minha filha para lhe entregar a chave, porque ia entregar-me à GNR, mas entretanto apareceu a Polícia Judiciária (PJ)", disse.

Segundo a acusação do MP, o arguido teve uma relação amorosa com a vítima durante alguns anos e, após a separação, mantinha por aquela sentimentos de "obsessão e posse, procurando controlar todos os aspetos da vida dela".

No fatídico dia, o arguido encontrou-se com a vítima para apanhar bivalves e tentou convencê-la a manter relações sexuais, mas aquela recusou.

O arguido terá então pegado numa faca de cozinha que estava no interior da viatura e, "num acesso de fúria e ciúme", atingiu a mulher com um golpe no peito e ainda lhe apertou o pescoço.

Segundo a investigação, o homicida conduziu depois a viatura da vítima, com o corpo da mesma, até à sua habitação, onde veio a ser encontrado no dia seguinte pela PJ com as pernas e os braços amarrados com cordas.

A acusação refere ainda que o sexagenário deslocou-se a um posto de abastecimento de combustíveis para encher um recipiente com gasolina para incendiar o veículo e o cadáver, o que não chegou a acontecer.