Justiça

Vara preso por ligação a luvas de 12 milhões para Sócrates

Vara preso por ligação a luvas de 12 milhões para Sócrates

Por causa de cerca de 12 milhões de euros que acabaram nas contas de um alegado testa-de-ferro de José Sócrates na Suíça, Armando Vara foi detido esta quinta-feira à tarde na sua casa, em Lisboa.

O ex-ministro surge implicado na operação Marquês porque, enquanto administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD), patrocinou uma operação financeira relacionada com o empreendimento de Vale do Lobo, no Algarve, em que o banco público acabou por perder mais de 100 milhões de euros.

Acompanhado por elementos da PSP e da Autoridade Tributária, o Ministério Público efetuou buscas em duas casas (em Entrecampos e em Cascais) e ainda no escritório de Vara, em Entrecampos, Lisboa. Outros escritórios de pessoas ligadas ao ex-ministro socialista foram alvos de diligências das autoridades. O JN confirmou ainda que foram efetuadas buscas na CGD.

O mais recente arguido do processo passou a noite na prisão do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa e será esta sexta-feira apresentado ao juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal, para interrogatório e aplicação de medidas de coação. Para o Ministério Público, sobre Vara recaem suspeitas de crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

A intervenção de Armando Vara no caso relativo ao empreendimento de luxo de Vale do Lobo centrou-se na libertação de cerca de 200 milhões de euros da Caixa Geral de Depósitos. Em 2006, foi constituído um consórcio com os empresários Hélder Bataglia, Luís Horta e Costa e Pedro Ferreira Neto no qual o banco detinha uma participação de cerca de 25%. O ex-ministro era o responsável pelo pelouro das participações financeiras no setor privado e terá feito força para a entrada da Caixa no negócio.

Quase em simultâneo, estavam em curso alterações no Plano de Ordenamento do Território para o Algarve (PROTAL) que vieram a concretizar-se em maio de 2007, mediante a publicação de uma resolução do conselho de ministros assinada por José Sócrates. O Ministério Público considerou que o empreendimento de Vale do Lobo terá sido beneficiado com tais alterações - tese refutada pelo ex-primeiro-ministro.

Já depois da aprovação do PROTAL, foram efetuadas, em 2008 e 2009, transferências bancárias de 12 milhões de euros com origem em Hélder Bataglia, passagem por Joaquim Barroca Rodrigues, administrador do Grupo Lena, e que terminaram nas contas da Suíça de Carlos Santos Silva, o amigo de infância de Sócrates. A investigação considera que aquelas verbas constituíram luvas pela aprovação do PROTAL, pagas com mediante um complexo esquema de circulação bancária. Os 12 milhões de euros somaram-se ao pecúlio já angariado em nome de Santos Silva e, totalizando 23 milhões, regressaram a Portugal em 2010, ao abrigo do RERT II. Parte importante do dinheiro já foi gasta por Sócrates.

O negócio do "resort" turístico de Vale do Lobo é que não correu bem e estima-se que a Caixa já perdeu mais de 100 milhões de euros.

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