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"Isco" para morte de Mota JR apoia-se na investigação da PJ para ser ilibada

"Isco" para morte de Mota JR apoia-se na investigação da PJ para ser ilibada

A morte do rapper Mota JR às mãos de assaltantes à porta da sua casa no Cacém chega esta quinta-feira ao Tribunal de Sintra, para instrução. Esta fase processual foi requerida pela rapariga que o MP acredita ter sido o "isco" para o assalto mortal na noite de 15 de março de 2020.

A jovem tenta evitar o julgamento pelos crimes de roubo, homicídio qualificado, sequestro e furto em coautoria e apoia-se na própria investigação da PJ. Alega que, de acordo com a PJ, foram os três suspeitos João Luizo, Edi Barreiros e Fábio Martins que agrediram, roubaram, abandonaram o corpo e venderam as joias de Mota JR, nunca tendo a jovem tido qualquer intervenção.

A defesa considera existirem incongruências na conclusão da investigação da PJ, que retiram a jovem local do crime, mas incluem-na no relatório final com co-autora do homicídio. E também critica o MP por ter incluído este possível "lapso" da PJ na acusação proferida, desta feita por falta de tempo e falta de atenção.

Em alternativa à ilibação por todos os crimes de que está acusada, a defesa acredita que pode haver um acerto na qualificação jurídica e que a jovem de 22 anos seja punida a título de cumplicidade com a consideração especial atenuação inerente: não participou nas agressões, delas não teve conhecimento, foi ameaçada a abandonar o local, não participou no ocultamento do cadáver nem na venda dos bens de Mota JR.

A defesa quer deitar por terra a tese do MP que atribui à jovem um papel fundamental na morte de Mota JR, sabendo esta do plano previamente combinado com o arguido tido como o mentor, João Luizo. O alvo eram as joias e dinheiro que o rapper exibia nos seus vídeos musicais. A defesa considera que a saber do plano, o que não se admite, seria num momento meramente preparatório.

O MP acredita que a jovem encontrou-se com Mota JR nessa noite por ordem de João Luizo, foram a um restaurante de fast food e quando se preparavam para chegar a casa deste, alertou João Luizo. No prédio onde residia, Mota JR foi surpreendido por Edi Barreiros e Fábio Martins encapuzados, que agrediram o artista a soco e pontapé. A jovem nesse momento fugiu, não tendo ligado às autoridades porque, de acordo com a sua defesa, entrou em pânico e sofre de um distúrbio emocional grave que a impediu.

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De acordo com a acusação, Mota JR tentou resistir ao assalto, foi arrastado até um túnel, onde já com João Luizo no local, foi sovado e jogado violentamente várias vezes contra a parede. Perdeu os sentidos quando Edi Barreiros apertou-lhe o pescoço e foi colocado na bagageira da viatura dos assaltantes com os pés e mãos amarrados. Acabou por não resistir às agressões e faleceu, acredita o MP.

Os suspeitos deixaram o corpo de Mota JR na Serra da Arrábida, a mais de cem quilómetros do local do crime, numa zona que João Luizo conhecia por os seus pais têm casa perto. Voltaram à casa do rapper, esperaram que a mãe e irmã destes saíssem e roubaram os seus pertences. O assalto rendeu cerca de 1600 euros, resultante da venda de dois anéis e um fio de ouro que Mota JR tinha consigo e em sua casa. Os suspeitos ainda tentaram vender as joias da vítima nas ruas da Amadora, mas pediam 2500 euros, um valor que ninguém aceitava. Pressionados pela eventual detenção, já que as autoridades tinham sido alertadas, aceitaram o valor que uma ourivesaria no Barreiro ofereceu e colocaram-se em fuga. João Luizo e Edi Barreiros saíram do país antes da declaração de Estado de Emergência e antes de estarem identificados como suspeitos. Fábio Martins permaneceu em território nacional, foragido das autoridades e na companhia de um amigo.

O corpo do artista foi encontrado dois meses depois do crime em elevado estado de decomposição devido à presença de javalis na zona. Edi Barreiros regressou em junho ao país e foi detido no aeroporto do Porto. Em Inglaterra, João Luizo foi capturado pelas autoridades no âmbito da cooperação internacional entre a PJ e a polícia britânica e trazido para Portugal. Em julho, a PJ deteve a jovem de 22 anos e em novembro o quarto suspeito, Fábio Martins. Os três homens estão em prisão preventiva e a rapariga está em prisão domiciliária.

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