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Julgamento

Sobrevivente do Meco diz que se salvou graças a experiência de bodyboard

Sobrevivente do Meco diz que se salvou graças a experiência de bodyboard

O julgamento do processo cível em que as famílias dos seis jovens que morreram durante uma praxe na praia do Meco, a 15 de dezembro de 2013, reclamam indemnizações no valor global de 1,3 milhões de euros, começou esta terça-feira.

Na primeira audiência de julgamento do processo contra João Gouveia, único sobrevivente da tragédia, e a Universidade Lusófona, de onde eram os estudantes, o antigo dux disse à juíza que sobreviveu graças à experiência em bodyboard: "Quando fui engolido pela onda mantive a calma, evitei nadar contra a corrente e mantive a calma até sentir os pés na areia."

Contou que a decisão de realizar o encontro no Meco foi dos representantes do curso. Havia várias opções e terá sido a estudante Carina, uma das vítimas, a apresentar a opção, uma vez que conhecia a zona. "Depois de analisar o preço das várias casas para realizar o encontro, decidimos ir para o Meco devido ao preço", disse João Gouveia.

A curta distância a pé entre a casa onde estavam e a praia (cinco quilómetros) e o facto de os pertences dos jovens terem sido deixados no gorro de João Gouveia, numa zona seca na praia, faz o advogado das famílias acreditar que a ida ao local foi um ritual praxístico comandado pelo dux, mas o réu desmente. "Não me recordo o porquê de deixar o tabaco, telemóveis e dinheiro no gorro no areal, mas estávamos lá perto, uns metros à frente. Sentámo-nos na praia de forma natural, espontânea, e a dado momento, o Tiago levanta-se, eu também e levámos com uma onda de lado", disse João, garantindo que a ideia de ir à praia não foi dele, mas sim dos colegas Catarina e Tiago, numa noite em que o grupo tinha ingerido bebidas alcoólicas.

"Levámos com uma onda lateral e fui empurrado para a zona de rebentação. Lembro me de não ter pé e levar com todas as outras ondas em jeito de máquina de lavar", contou João, que, na altura, tentou puxar a mão de Carina, mas sem sucesso. Chegado à areia, acionou o 112 e ainda ajudou a Polícia Marítima a tentar identificar onde estavam os colegas.

João Gouveia foi nessa trágica noite para o hospital e passou a ser acompanhado por uma psicóloga. Já não regressou à praia, onde decorriam as buscas pelos seis jovens desaparecidos.

Para Vítor Parente Ribeiro, advogado das famílias das vítimas, "não há dúvidas que se tratou de uma atividade de praxes, o ato de sentar junto ao mar e deixar os pertences em zona seca", disse à saída. A defesa sustenta ainda que, além da intervenção dos réus, o dux João Gouveia e a Universidade Lusófona, estão em causa o funcionamento da Comissão Oficial de Praxes Académicas e atividades praxistas levadas a cabo ao longo dos anos.

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Tribunal afastou responsabilidade criminal sobre João Gouveia

O inquérito às circunstâncias da morte dos seis jovens foi arquivado em julho de 2014 e reaberto em outubro do mesmo ano, quando o dux João Gouveia foi constituído arguido. Em março de 2015, o Tribunal de Instrução Criminal de Setúbal decidiu não enviar o processo-crime para julgamento e o Tribunal da Relação de Évora, após recurso da defesa, manteve a decisão, sublinhando que as vítimas eram adultas e não haviam sido privadas da sua liberdade durante a praxe, pelo que não havia responsabilidade criminal sobre João Gouveia. Neste processo, estão arroladas três dezenas de testemunhas.

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