Viseu

Jogadores de clube de Viseu passavam fome e dormiam no chão

Jogadores de clube de Viseu passavam fome e dormiam no chão

Futebolistas estrangeiros, oriundos de famílias carenciadas, eram aliciados pelo ex-presidente do Grupo Desportivo de Canas de Senhorim (Divisão de Honra da Associação de Futebol de Viseu) a viajarem para Portugal com "visto de turista".

Aos jogadores, Paulo Guilherme prometia-lhes, sem cumprir, contratos de jogadores profissionais, alojamento e alimentação. Segundo o Ministério Público, o ex-dirigente terá prometido a alguns jogadores vencimentos de 550 euros, que não chegaram a ser pagos.

Já em Canas de Senhorim, Nelas, alguns dos futebolistas eram colocados a dormir em colchões, no chão, num anexo do complexo desportivo, sem condições de habitabilidade, e passavam fome, relata a acusação, citada esta sexta-feira pelo "Jornal do Centro".

O MP indica que era o ex-dirigente futebolístico que fazia as compras para os jogadores, escolhendo os alimentos que estes deviam comer e que eram entregues à quinta ou sexta-feira, dias de treinos para o jogo de domingo.

A comida, além de ser escassa, era de fraca qualidade e variedade, resumindo-se a massa, arroz, feijão, pão, maçã e carne, adianta o MP.

Em consequência dos crimes, que remontam a 2016 e 2017, Paulo Guilherme está acusado de 14 crimes de auxílio à imigração ilegal e tráfico de pessoas, outros dois na forma tentada e um crime de falsificação de documento.

De acordo com a acusação, o ex-presidente do blube, suspenso de funções em julho do ano passado, aliciava cidadãos que sabia estarem em situação ilegal. Prometia-lhes um comprovativo de manifestação de interesse e, assim, quando eram abordados pelas autoridades policiais, faziam prova de que estavam a fazer diligências para se legalizarem em Portugal.

Já depois de uma fiscalização do SEF, em maio de 2017, o presidente contratou seis jogadores a termo certo mas para as funções de jardineiro, empregado de limpeza, roupeiro ou guarda-noturno.

Ao Ministério Público, o arguido negou todos os factos de que está acusado, alegando que as testemunhas estariam a ser "instrumentalizadas" pelos inspetores do SEF e imputando a terceiros a responsabilidade das contratações.

O arguido foi treinador entre 2013 e 2016 e presidente entre 2016 e 19 de julho de 2018.