Football Leaks

José Miguel Júdice: "Só posso chamar Rui Pinto de ladrão"

José Miguel Júdice: "Só posso chamar Rui Pinto de ladrão"

O advogado José Miguel Júdice afirmou esta terça-feira, em tribunal, que não pode chamar outra coisa a Rui Pinto a não ser "ladrão".

"Só posso chamá-lo de ladrão. Não tenho outro termo mais adequado", sublinhou o advogado, ao depor por videoconferência no julgamento do hacker autointitulado denunciante.

Júdice terá sido um dos elementos da sociedade de advogados PLMJ cuja caixa de correio eletrónico foi, segundo o Ministério Público (MP), acedida ilicitamente de forma remota, no final de 2018, por Rui Pinto.

Para o causídico, que entretanto deixou de exercer advocacia, os atos imputados ao gaiense, de 32 anos, tratou-se de "um furto sem violência física, mas com violência psicológica e moral", mais grave do que um assalto a sua casa. O e-mail tinha, além de informação profissional, informação pessoal.

A 4 de setembro de 2020, na primeira sessão do julgamento, Rui Pinto alegou em tribunal que tudo o que fez foi por "um bem maior". Além de criador assumido do Football Leaks, o arguido garante ainda ser a fonte dos Luanda Leaks.

Esta terça-feira, Júdice assegurou que só trabalhou na área do futebol quando foi advogado do Benfica, no mandato de Manuel Vilarinho (2000-2003). Já quanto ao universo Isabel dos Santos, admitiu ter representado, no domínio arbitral, uma empresa detida parcialmente pela empresária angolana. "A cliente não era ela", salientou.

O MP defende que Rui Pinto atacou a PLMJ por um dos seus advogados representar a SAD encarnada num outro processo, mas o autointitulado denunciante contrapõe que a intrusão está relacionada com o Luanda Leaks.

O hacker está a ser julgado, no total, por 90 crimes, entre os quais 68 de acesso indevido. Esta terça-feira, Júdice opôs-se à existência de um Estado que faça "outsourcing da investigação criminal e da recolha de prova".

"Não posso admitir enquanto cidadão, em qualquer circunstância, que, mesmo com aparentes motivos nobres, possam fazer o que aconteceu comigo", desabafou.

O julgamento continua na quarta-feira, no Tribunal Central Criminal de Lisboa, com mais testemunhas afetas à PLMJ.

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