Entrevista

José Sócrates acusa Carlos Alexandre de o perseguir para obter protagonismo

José Sócrates acusa Carlos Alexandre de o perseguir para obter protagonismo

Antigo primeiro-ministro quer magistrado e escrivã condenados por falsear sorteio do processo Marquês. Sócrates também criticou António Costa

José Sócrates desferiu um violento ataque contra o juiz Carlos Alexandre, acusando-o de liderar uma "perseguição política" para ganhar protagonismo. Denunciou também aquilo que caracterizou de "corporação judiciária" que, "de forma escandalosa" protegeu o magistrado. Numa entrevista à CNN Portugal, transmitida nesta sexta-feira, o antigo primeiro-ministro recusou tecer comentários à atual campanha eleitoral, mas não evitou críticas implícitas a António Costa.

A entrevista foi realizada depois de José Sócrates ter pedido ao Tribunal da Relação de Lisboa a abertura de instrução de um caso, no qual pretende que o juiz Carlos Alexandre e a escrivã Teresa Costa sejam acusados de vários crimes. Em causa está o processo de distribuição do processo "Marquês", em 2014, no Tribunal Central de Instrução Criminal. Para o ex-governante, que é o principal arguido desse inquérito, essa distribuição foi feita através de "manipulação", "viciação" e de um "crime de falsificação" com o único propósito de o prender.

"Este juiz foi escolhido de forma fraudulenta. Foi escolhido por uma das partes, de forma arbitrária e sem sorteio", defendeu. Com recurso a uma analogia desportiva, Sócrates comparou: "Era como se o Porto jogasse contra o Benfica e o Benfica escolhesse o árbitro".

António Costa não devia "desmerecer" maioria de Sócrates

Na referida entrevista, o antigo primeiro-ministro defendeu que não teve "direito a um juiz natural" porque, durante ano e meio, "todos os processos mediáticos foram entregues a Carlos Alexandre", com a complacência da escrivã que ele próprio escolheu.

Agora, Sócrates requereu a abertura de instrução para que "aqueles que cometeram estas ilegalidades", para o perseguir politicamente, sejam responsabilizados. "Ninguém está acima da lei. Nem o juiz Carlos Alexandre", afirmou.

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Depois de sustentar, uma vez mais, que "todas as acusações [contra ele] do processo "Marquês caíram", José Sócrates evitou comentários sobre o período eleitoral em curso para "não ferir suscetibilidades de muitos amigos".

No entanto, não perdoou o atual candidato do PS. "Para quem quer uma maioria política talvez devesse começar por não desmerecer a única maioria do PS", declarou numa referência ao resultado por si alcançado em 2005 e sem nunca nomear António Costa.

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