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José Sócrates chega a tribunal para "repor a verdade"

José Sócrates chega a tribunal para "repor a verdade"

José Sócrates chegou pelas 13.30 horas desta segunda-feira para ser interrogado, a partir das 14 horas, pelo juiz Ivo Rosa na instrução da Operação Marquês, destinada a apurar se o processo segue (ou não) para julgamento e em que termos.

À entrada do Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, o ex-primeiro-ministro disse esperar "repor a verdade". "É uma longa caminhada, bem sei, maior ainda do que a daqueles alegações completamente infundadas", sublinhou, numa curta declaração aos jornalistas.

Sócrates está acusado pelo Ministério Público (MP) de 31 crimes de corrupção, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal qualificada, 30 dos quais em coautoria com pelo menos um dos restantes 27 arguidos no processo, incluindo nove empresas.

O catálogo abrange alegados ilícitos tão diversos como o favorecimento do Grupo Lena nas relações com a Venezuela e na concessão do TGV, a submissão da atuação do Estado na Portugal Telecom aos interesses do Grupo Espírito Santo (GES), o recebimento de um suborno no negócio do empreendimento de Vale do Lobo - considerado ruinoso para a Caixa Geral de Depósitos -, a compra de habitações em Paris, em Lisboa e no Alentejo e a forja de contratos para o justificar o pagamento de contrapartidas ao escritor-fantasma a sua tese de mestrado.

Quase sempre com dinheiro de Carlos Santos Silva - que o MP acredita que pertencia, na realidade a Sócrates - e através de percursos financeiros complexos com passagens por contas no estrangeiro e offshores. Só do GES, o antigo primeiro-ministro terá recebido, segundo a acusação, luvas de mais de 25 milhões de euros e, do Grupo Lena, de mais de cinco.

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Sócrates sempre disse ser inocente. À chegada ao tribunal, um dos procuradores titulares do inquérito, Rosário Teixeira, afirmou não esperar "ouvir nada de novo".

A sessão vai decorrer à porta fechada, e além desta segunda-feira, Ivo Rosa reservou ainda as tardes dos próximos três dias para interrogar o antigo governante socialista.

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