Sentença

Jovem de Fafe condenada a 16 anos por matar namorado à facada

Jovem de Fafe condenada a 16 anos por matar namorado à facada

A jovem de 23 anos que matou o namorado com uma facada no pescoço, em Fafe, foi esta tarde de sexta-feira condenada a 16 anos de prisão pelo tribunal de Guimarães.

Letícia Gonçalves agiu por ciúmes quando descobriu que o namorado deu os parabéns à "ex".

Em outubro de 2017, Bruna Letícia Gonçalves e o namorado Luís Filipe Rodrigues discutiram e a jovem acabou por esfaquear o rapaz no pescoço, causando-lhe ferimentos graves que viriam a culminar na sua morte.

Agora, a jovem é condenada pelo Tribunal de Guimarães por homicídio qualificado e violência domestica agravada e tem de pagar um total de 160 mil euros à família da vítima. Bruna Letícia Gonçalves, que em julgamento disse não se ter apercebido da gravidade da lesão que causou ao namorado, está presa preventivamente há meio ano.

O Tribunal deu como provado que, a 17 de outubro de 2017, Letícia foi ao telemóvel do namorado e viu uma mensagem de parabéns enviada por este à ex-namorada. Acordou-o de madrugada e a discussão culminou na facada que lhe viria a causar a morte. Para o tribunal, ficou provado que Letícia era "controladora", "obsessiva" e que agiu por ciúme.

Naquela noite, depois de dar uma facada com uma profundidade de 1,5 centímetros no pescoço do namorado, Letícia chamou o 112 e disse que Luís se tinha cortado. Depois, lavou a faca e esperou pelo INEM, mas as autoridades detetaram vestígios de sangue de Luís no cabo da faca de cozinha cuja lâmina era de dez centímetros. "Não ficou provado que agiu com intenção de matar, mas fica provado que previu a hipótese e conformou-se com isso", disse a juíza que presidiu ao coletivo.

Ficou ainda provado que Letícia agrediu o namorado pelo menos duas vezes durante a relação, uma vez com um soco e outra com arranhões, que "não apreciava que o Luís contactasse familiares e amigos", e "mandava mensagens de forma insistente", para além de "vigiar as redes sociais e o telemóvel", lê-se no acórdão.

Durante três vezes, na sequência de discussões, o rapaz saiu da casa onde ambos moravam, na freguesia de Pardelhas, no concelho de Fafe.

Ernesto Novais, advogado de Letícia, disse ao JN que vai recorrer da decisão pois o acórdão está "baseado em muitos factos não provados". Já Anabela Rita Fernandes, advogada da família, considerou "um sucesso total" a decisão do Tribunal de Guimarães, sendo certo que "nada trará o Luís de volta", como frisou o coletivo de juízes.

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