Santa Maria da Feira

Jovem diz que foi baleado nas costas durante assalto apesar de ter acatado ordens da GNR

Jovem diz que foi baleado nas costas durante assalto apesar de ter acatado ordens da GNR

Começou, na manhã desta quarta-feira, o julgamento de quatro homens suspeitos de assalto e sequestro numa residência, em 2020, em Sanguedo, Feira. Dois dos arguidos garantem que não participaram nestes crimes e foram ilibados por outros dois coarguidos no mesmo processo.

Os homens, com idades entre os 30 e 34 anos, estão acusados de dois crimes de roubo agravado, um crime de detenção de arma proibida, um crime de furto e outro de falsificação de documento.

De acordo com a acusação, na madrugada de 24 de abril de 2020, os arguidos deslocaram-se numa viatura furtada em Guimarães para efetuar o assalto a uma moradia situada na Freguesia de Sanguedo, propriedade de um casal emigrante.

Dois dos arguidos assumiram, na primeira sessão que decorreu no Tribunal de Espinho, parte dos factos constantes na acusação, reconhecendo que usaram de violência física para com o proprietário da habitação e o disparo de arma "taser".

Contudo, ilibaram os outros dois indivíduos em julgamento, referindo que os mesmos não participaram naquele assalto.

Acabariam por incriminar outros dois homens, que não estão a ser julgados, um dos quais o condutor da viatura que se colocou em fuga e que garantiram ser o mentor do assalto.

Também o advogado de um dos arguidos, que diz não ter tido qualquer participação nestes crimes, pediu a junção de prova documental que afirma provar a "inocência dos factos de que é acusado" o seu cliente.

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Alegou que os documentos entregues "provam inequivocamente o dia e hora em que o arguido se encontra". Ou seja, que não poderia ter estado envolvido no assalto.

"Não tenho nada com isso [o assalto]", referiu um dos arguidos, dizendo que devido à acusação de que é alvo tem vivido "dias de massacre". "É uma injustiça", referiu em tom exaltado ao coletivo de juízes.

Já um dos arguidos, que confessou ter participado no assalto à habitação, justificou a sua atuação com o facto de estar há 15 dias sem trabalho devido à pandemia. "Não tinha nenhuma fonte de rendimento e foi um ato de desespero que me levou a fazer aquilo. Foi o maior erro da minha vida e arrependo-me muito daquilo que fiz".

Confirmou ter sido "agressivo" com o dono da habitação a quem alega ter dado "um empurrão ou dois, mas nada mais".

Disse, ainda, que foi baleado nas costas por um elemento da GNR, quando se preparava para sair da habitação dos emigrantes, apesar de não ter oferecido resistência.

O outro arguido admitiu ter disparado uma arma "taser" "duas ou três vezes" contra o emigrante e disse estar pronto para "pedir desculpa às vítimas".

De acordo com o Ministério Público, os arguidos dispararam várias vezes o "taser" contra o dono da habitação e agrediram-no com murros e pontapés, para o obrigar a abrir dois cofres que tinha em casa.

Quando se preparavam para fugir da moradia, foram surpreendidos pela presença de uma patrulha da GNR.

A acusação descreve que um dos envolvidos no assalto terá apontado a arma "taser" a um elemento da GNR e foi baleado nas costas.

A patrulha deteve um segundo homem, mas outros dois indivíduos conseguiram escapar do local.

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