Julgamento

Jovem que matou homem no Porto diz que reagiu a tentativas de contacto sexual

Jovem que matou homem no Porto diz que reagiu a tentativas de contacto sexual

Um jovem acusado de espancar um homem sexagenário até à morte alegou, esta quarta-feira, que fê-lo, sob efeito de álcool e drogas, como reação a tentativas de contactos sexuais por parte da vítima.

O caso remonta a 11 de fevereiro deste ano. A vítima foi agredida com murros, joelhadas e pontapés, dentro de casa, na Rua de Santos Pousada, no Porto. Ficou com lesões traumáticas crânio-encefálicas e faciais que lhe determinaram a morte.

"Tudo se passou em segundos. Não estava em mim. Estava endiabrado. Tinha tomado haxixe e bebido cerveja", alegou o arguido, no tribunal de São João Novo, no Porto, na primeira sessão do julgamento. Mais tarde, disse que tinha transtorno de personalidade e que deixara de ser medicado para o efeito.

Referindo-se às motivações do crime, pelo qual se mostrou arrependido, acrescentou que o sexagenário tinha insistido várias vezes para se envolverem sexualmente.

Na acusação do processo, o Ministério Público diz que o arguido, de 21 anos, natural da Colômbia e de nacionalidade espanhola, filmou a vítima, de 66 anos, "nos seus últimos momentos de vida" e dirigiu-lhe insultos associados às suas preferências sexuais, "retirando prazer desse ato". Depois de lhe roubar alguns bens pessoais, prosseguiu a vida "como se nada se tivesse passado".

O indivíduo tinha pendente um mandado de detenção europeu, emitido pelas autoridades espanholas, para cumprir 14 anos de prisão por outros crimes, facto que, segundo a acusação, era desconhecido da vítima. Sabia apenas, diz o Ministério Público, que tinha sido expulso de uma casa-abrigo do Porto "por questões de mau comportamento" e que o acolheu em casa, retirando-o à condição de sem-abrigo e chegando mesmo a pagar-lhe as despesas.

"Desprezando toda a ajuda recebida", lê-se no processo, o arguido roubou e maltratou o sexagenário, mesmo quando este lhe deu uma segunda oportunidade de ficar na sua residência, num crescendo de agressividade que culminou, "sem motivo aparente", no espancamento que se revelaria fatal.

O arguido está em prisão preventiva à ordem deste processo no Estabelecimento Prisional do Porto. O julgamento prossegue em 16 de outubro.

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