Homicídio

Jovem que serviu de isco na morte do rapper Mota JR ilibada por juiz

Jovem que serviu de isco na morte do rapper Mota JR ilibada por juiz

O Juiz de Instrução Criminal de Sintra afastou as acusações de homicídio, sequestro e furto imputados à jovem que serviu como isco na noite em que o rapper Mota JR foi agredido até à morte à porta da sua casa no Cacém.

João Luizo, tido como o mentor do crime, quem planeou o roubo, e participou nas agressões violentas ao rapper negou ao juiz ter estado no local do crime. Manteve a tese apresentada aquando da sua detenção, de que estava a jantar com a tia na noite do crime, mas os seus argumentos não foram acolhidos pelo tribunal.

O arguido será julgado, com Edi Barreiros e Fábio Martins por homicídio qualificado, roubo agravado, sequestro, furto qualificado e profanação de cadáver.

A jovem que serviu como isco para atrair Mota JR vai responder por roubo, em coautoria. A sua defesa, realizada por Miguel Matias, analisa a decisão instrutória como "a esperada, uma vez que a jovem não participou no crime".

Em julgamento, espera a absolvição da jovem ou, em alternativa, que seja punida a título de cumplicidade com a consideração especial de atenuação inerente: não participou nas agressões, delas não teve conhecimento, foi ameaçada a abandonar o local, não participou no ocultação do cadáver nem na venda dos bens de Mota JR.

A decisão instrutória foi proferida esta terça-feira no Tribunal de Sintra.

O crime ocorreu na noite de 14 de março de 2020. A jovem encontrou-se com Mota JR por ordem de João Luizo, foram a um restaurante de "fast food" e quando se preparavam para chegar a casa deste, fez o que devia, alertou João Luizo.

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No prédio onde residia, Mota JR foi surpreendido por Edi Barreiros e Fábio Martins encapuzados, que agrediram o artista a soco e pontapé. A jovem nesse momento fugiu.

Mota JR tentou resistir ao assalto, foi arrastado até um túnel, onde já com João Luizo no local, foi sovado e jogado violentamente várias vezes contra a parede.

Perdeu os sentidos quando Edi Barreiros apertou-lhe o pescoço e foi colocado na bagageira da viatura dos assaltantes com os pés e mãos amarrados. Acabou por não resistir às agressões e faleceu, acredita o MP.

Os suspeitos deixaram o corpo sem vida de Mota JR na Serra da Arrábida, a mais de cem quilómetros do local do crime, numa zona que João Luizo conhecia por os seus pais terem casa perto. Voltaram à casa do rapper, esperaram que a mãe e irmã destes saíssem e roubaram os seus pertences.

O assalto rendeu cerca de 1600 euros, resultante da venda de dois anéis e um fio de ouro que Mota JR tinha consigo e em sua casa.

Os suspeitos ainda tentaram vender as joias da vítima nas ruas da Amadora, mas pediam 2500 euros, um valor que ninguém aceitava.

Pressionados pela eventual detenção, já que as autoridades tinham sido alertadas, aceitaram o valor que uma ourivesaria no Barreiro ofereceu e colocaram-se em fuga.

João Luizo e Edi Barreiros saíram do país antes da declaração de Estado de Emergência e antes de estarem identificados como suspeitos. Fábio Martins permaneceu em território nacional, foragido das autoridades e na companhia de um amigo.

O corpo do artista foi encontrado dois meses depois do crime em elevado estado de decomposição devido à presença de javalis na zona.

Edi Barreiros regressou em junho ao país e foi detido no aeroporto do Porto. Em Inglaterra, João Luizo foi capturado pelas autoridades no âmbito da cooperação internacional entre a PJ e a polícia britânica e trazido para Portugal.

Em julho, a PJ deteve a jovem de 22 anos e em novembro o quarto suspeito, Fábio Martins. Os três homens estão em prisão preventiva e a rapariga está em prisão domiciliária.

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