Polémica

Juiz fala em "vírus chinês" e deixa Liga dos Chineses ofendida

Juiz fala em "vírus chinês" e deixa Liga dos Chineses ofendida

A maior associação da comunidade chinesa em Portugal quer saber se magistrado de Lisboa tem "tendência xenófoba". E já se queixou ao Conselho Superior da Magistratura. Em causa, está o usa da expressão "vírus chinês".

A Liga dos Chineses em Portugal (LCP) sente-se "ofendida" por um juiz do Tribunal Central Criminal de Lisboa que chamou "vírus chinês" ao coronavírus, num despacho recente, e já pediu ao Conselho Superior da Magistratura para avaliar a atuação do magistrado.

"Sendo o Conselho Superior da Magistratura uma instituição credível e a magistratura judicial respeitada por toda a comunidade chinesa, gostaríamos de consultar V. Exa. afim de saber se houve erro na escrita por parte do Juiz 18 do Central Criminal de Lisboa", lê-se na carta dirigida a António Joaquim Piçarra, que preside ao órgão de gestão e disciplina dos juízes por inerência do cargo de presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Está em causa um despacho do dia 2 deste mês, onde a referência a "vírus chinês" surge logo no primeiro parágrafo: "Devido ao surto pandémico que Portugal está a atravessar, causado pelo vírus chinês (Covid 19), não se mostra aconselhável, devido ao perigo de contágio, reunir num espaço fechado várias dezenas de pessoas, como seria o caso da leitura do acórdão para amanhã designada" (sic).

A LPC, associação presidida por Y Pung Chow, não faz um juízo definitivo sobre a atuação do juiz em questão, José Paulo Abrantes Registo, mas aponta hipóteses: "Não fomos capazes de qualificar se o termo contém o sentido de discriminação racial ou alguma tendência xenófoba, e (ou) apenas o magistrado judicial deixou-se influenciar pela afirmação do presidente americano [Donald Trump]", diz, antes de manifestar interesse no apuramento da verdade: "Devíamos e temos de procurar o verdadeiro sentido desta afirmação".

A maior associação da comunidade chinesa em Portugal também escreveu uma carta ao presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados, José Trincão Marques, onde deixa à apreciação deste órgão a "eventual denúncia pública" da situação.

O primeiro grande surto do novo coronavírus surgiu, no final do ano passado, na cidade chinesa de Wuhan. Esse facto tem levado algumas figuras, com presidente dos EUA à cabeça, a tratar o novo vírus como "o vírus chinês".

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