Tondela

Julgamento das mortes em torneio de sueca arranca com o banco dos réus "vazio" 

Julgamento das mortes em torneio de sueca arranca com o banco dos réus "vazio" 

A advogada de defesa de parte das vítimas mortais do incêndio na Associação de Vila Nova da Rainha, Tondela, que em janeiro de 2018 fez 11 mortos, diz que o julgamento que arranca esta segunda-feira, no Tribunal de Viseu, e que tem apenas um arguido, inicia-se com "o sentimento de que o banco dos réus está vazio".

"Haveriam de estar mais pessoas, mas vamos deixar a Justiça trabalhar porque há um inquérito", declarou Liliana Almeida, à entrada do tribunal, escusando-se a dizer quem mais devia estar a responder pelas 11 pessoas que perderam a vida num torneio de sueca em janeiro de 2018, na Associação de Vila Nova da Rainha.

"Vamos deixar a Justiça trabalhar, com calma, estamos a falar de muitas mortes, pessoas para quem emocionalmente isto é uma carga. Isto não é um folclore, vamos ter respeito e permitir que a Justiça faça o seu trabalho", concluiu a advogada que representa a família de seis das vítimas mortais.

Jorge Dias, o presidente da coletividade, é o único arguido do caso. Está a ser julgado por onze crimes de homicídio por negligência e um de ofensa à integridade física negligente grave.

À entrada do tribunal o arguido disse que "enquanto decorrer o julgamento não" vai prestar declarações.

O incêndio na sede da Associação Cultural Recreativa e Humanitária de Vila Nova da Rainha ocorreu na noite de 13 de janeiro de 2018, durante um torneio de sueca. Nesse dia, o balanço foi de oito mortos e 38 feridos, entre ligeiros e graves, mas o número de mortos aumentou para onze nos dias seguintes.

Na acusação o Ministério Público (MP) sustenta que Jorge Dias, presidente da associação desde 1996, "ao não diligenciar pela legalização das obras efetuadas, impediu que o edifício cumprisse todas as normas de segurança", concretamente no que respeita ao risco de incêndio.

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À porta do Tribunal de Viseu, para assistirem ao julgamento, concentram-se esta manhã mais de duas dezenas de pessoas. A sala de audiência foi pequena para receber tanta gente. A maioria das pessoas é natural de Vila Nova da Rainha e deslocou-se a Viseu para prestar "apoio" a Jorge Dias. Os populares não quiseram dar a cara ou nome.

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