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Suspeito do duplo homicídio em Valpaços mantém-se em liberdade

Suspeito do duplo homicídio em Valpaços mantém-se em liberdade

A Polícia Judiciária acabou por não deter José Elias dos Santos, o homem de 66 anos que foi levado numa viatura da GNR até à PJ de Vila Real, sábado a meio da tarde, depois de terem sido descobertos os corpos de um casal de agricultores, num lameiro, em Avarenta, concelho de Valpaços.

Laurindo Cunha, de 52 anos, e Ana Paula Teixeira, de 49 anos, foram encontrados baleados, cerca das 13 horas, e as primeiras suspeitas recaíram sobre José Elias, cunhado das vítimas, com base em relatos de moradores daquela aldeia de que existiam desavenças antigas e ameaças de morte.

Ao ser abordado, o suspeito não terá oferecido resistência e foi conduzido pela GNR até às instalações da PJ de Vila Real, onde foi interrogado durante a noite e mandado para casa, já durante a madrugada deste domingo. Foi apenas constituído arguido.

Ao que apurou o JN junto de fonte ligada ao processo, a decisão de retirar da aldeia o principal suspeito do crime foi uma medida para precaver possíveis retaliações de alguns habitantes que estavam com os ânimos exaltados.

A opção pela não detenção do cunhado das duas vítimas surgiu pela falta de provas materiais do crime, tendo em conta que o suspeito não tinha qualquer vestígio de pólvora e que as duas armas apreendidas (uma caçadeira e uma carabina) não terão sido as armas utilizadas no duplo homicídio.

Ora, apenas com base nos relatos dos moradores da aldeia de Avarenta, de alegadas ameaças nos últimos anos, a PJ não tinha qualquer argumento para deter formalmente o cunhado das duas vítimas. O suspeito não será levado a tribunal para primeiro interrogatório, dado que a detenção não foi concretizada.

Recorde-se que o casal de agricultores foi morto a tiro de caçadeira, ao início da tarde de ontem, na freguesia de Carrazedo de Montenegro, concelho de Valpaços, cerca das 13 horas, num lameiro a cerca de 500 metros do centro da aldeia de Avarenta, por familiares que os esperavam para o almoço.

"Por volta das dez horas, foram arrancar erva para a propriedade e como estavam a demorar a chegar, a família começou a estranhar porque o Laurindo nunca era de chegar tarde para a refeição. Uma das irmãs veio ao largo do povo muito preocupada com o atraso e fomos algumas pessoas com ela ao lameiro, quando encontramos aquele cenário. Cada um tombado para seu lado, já mortos", contou Manuel Silvino, um habitante de Avarenta.

Houve relatos de uma desavença que aconteceu há cerca de quatro anos. "Na altura, o Laurindo e o Elias foram a uma caçada ao javali e um deles terá morto um mas quem o levou para casa foi o outro. Desde então andavam de candeias às avessas e tudo piorou quando há cerca de dois anos o Elias terá agredido um rapaz e o caso foi para tribunal com o Laurindo a ser testemunha de defesa do rapaz. Desde então, já tinha havido várias ameaças", conta um morador de Avarenta, que pediu o anonimato.

"Ele já tinha ameaçado de morte o meu irmão", confirma Florinda Cunha, uma das irmãs de Laurindo, uma das vítimas. Até chegou a dizer que havia de matar mais", acrescenta.

"Eles não se davam, ele já tinha feito ameaças, mas não estávamos à espera desta tragédia", conta Silvana Moutinho, outra moradora daquela aldeia que está em choque com os crimes. Ao final da tarde de ontem, os corpos foram retirados do local do crime para serem autopsiados.

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