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Luís Filipe Vieira arguido no caso do "Saco Azul"

Luís Filipe Vieira arguido no caso do "Saco Azul"

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, foi constituído arguido no caso do "Saco Azul", como é conhecido o inquérito-crime em que se investigam suspeitas sobre a utilização de uma empresa de informática para fazer sair do clube quantias avultadas de dinheiro, sob a justificação de serviços de consultadoria alegadamente fictícios.

Fonte oficial dos "encarnados" confirmou à Lusa que a SAD do Benfica é um dos dois arguidos coletivos cuja constituição foi revelada, esta terça-feira, pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e que Luís Filipe Vieira é o único arguido individual, por presidir à sociedade. Os advogados dos encarnados apresentaram um requerimento, a fim de saberem se o processo está em segredo de justiça, ressalvando que em causa está um processo de crime fiscal, que nada tem a ver com questões desportivas ou "sacos azuis".

Já hoje, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) suspendeu a negociação de ações da Benfica SAD, por aguardar divulgação de informação relevante ao mercado.

Em comunicado sobre as buscas de junho de 2018, a Procuradoria Distrital de Lisboa já dava como "suficientemente" indiciado que a Benfica SAD e a Benfica Estádio SA, "a coberto de uma suposta prestação de serviços de consultoria informática, realizaram várias transferências bancárias para uma conta titulada por uma outra sociedade, num valor total de 1.896.660,00 €, (...) que acabavam depois por ser levantados em numerário. Esta última sociedade terá sido utilizada com o único propósito de retirar dinheiro das contas do Benfica", acrescentou.

Alerta bancário originou inquérito

O inquérito-crime foi instaurado, apurou o JN à época, na sequência de um alerta bancário. Os bancos são obrigados a reportar as operações financeiras que se afigurem suspeitas, à luz da lei do combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, e foi isso aconteceu neste caso, perante movimentos de quase 1,9 milhões de euros, da Benfica SAD e da Benfica Estádio SA para uma empresa de informática, e o posterior levantamento do mesmo montante em numerário.

O alerta foi dado pelo banco onde a referida empresa de informática tinha conta, porque a instituição financeira terá estranhado o montante creditado ao respetivo cliente, acima do que era o seu volume de negócios habitual, e o facto de o dinheiro ter sido levantado pouco depois.

Aquela desconfiança justificaria o cumprimento, em junho de 2018, de três mandados de buscas domiciliárias e cinco não domiciliárias. Entre estas, duas foram dirigidas precisamente às sociedades Sport Lisboa e Benfica SAD e Benfica Estádio Construção Gestão Estádios, SA, escreveu PGDL em 6 de junho de 2018, ainda às ordens da procuradora-geral adjunta Maria José Morgado.

Aquele comunicado da procuradoria confirmou a manchete da edição do JN nesse dia: "PJ faz buscas no Benfica por suspeitas de fraude fiscal e branqueamento". E foi emitido minutos depois de o Benfica divulgar um comunicado próprio onde escreveu que aquela notícia do JN era "falsa".

"O Sport Lisboa e Benfica confirma que, no âmbito de uma investigação que envolve empresas terceiras, foi solicitada e recolhida informação junto dos serviços do Clube pelo facto de serem entidades que nos prestam serviços", alegou então o clube, depois de, no dia anterior, se ter recusado a confirmar as buscas e os outros factos sobre os quais foi questionado pelo JN.

Informática propicia branqueamento

Em junho de 2018, o Ministério Público referiu-se publicamente a uma única empresa de consultoria informática, mas o JN apurou que foram três, pelo menos, as empresas então visadas pela operação de buscas. Os seis arguidos então constituídos foram essas três empresas e outros tantos indivíduos que as representavam.

Naquela fase do processo, já se antevia a constituição de novos arguidos numa segunda fase, quando identificadas as pessoas a quem, na estrutura do Benfica, fossem imputáveis eventuais responsabilidades pelo esquema montado para, alegadamente, fazer sair dinheiro do clube.

Uma fonte que conhece os factos sob investigação observou, ao JN, que havia relações entre as três empresas arguidas. E explicou a coincidência de todas elas estarem ligadas à informática, lembrando que esta área, e em particular a consultoria informática, é propícia a esquemas de branqueamento com recurso a simulações de serviços, pela dificuldade das autoridades em avaliarem o trabalho de um consultor informático. "Na consultoria jurídica, por exemplo, o serviço prestado manifesta-se, normalmente, na elaboração de parecer. Na consultoria informática, não necessariamente", ilustrou.

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