Bragança

Chef Luís Portugal acusado no caso do botulismo

Chef Luís Portugal acusado no caso do botulismo

Luís Portugal acusado de quatro crimes de corrupção de substâncias alimentares, agravados pelo resultado no caso do botulismo que levou quatro pessoas ao hospital.

O antigo concorrente do programa de televisão MasterChef, Luís Portugal, e empresário da restauração em Bragança, bem como uma sociedade comercial da qual era gerente, foi acusado pelo Ministério Público pela prática de quatro crimes de corrupção de substâncias alimentares, agravados pelo resultado. O caso remonta ao verão de 2015 quando quatro pessoas foram internadas no hospital com sintomas de botulismo por terem consumido alheiras compradas à empresa do chef Luís Portugal.

Segundo o despacho do Ministério Público, era ao arguido, pessoa singular responsável enquanto gerente, pelo menos desde 10 de fevereiro de 2012, pelos destinos da sociedade comercial também arguida, que cabia dirigir e determinar os termos de todo o processo de produção de fumeiro a que esta sociedade se dedicava, com unidade de fabricação e armazém em locais distintos de Bragança. A acusação considera que que lhe cabia, nomeadamente, a responsabilidade pela aquisição e transporte de matérias-primas, fabricação, embalamento, transporte, acondicionamento e exposição para venda.

Para o Ministério Público o arguido, enquanto responsável da empresa, determinou a produção, armazenamento, transporte e comercialização de pelo menos 240 alheiras, "desrespeitando diversas normas higieno-sanitárias" que regulam todo este processo, nomeadamente não implementação de um manual de análise de perigos e pontos críticos de controle; não tinha licenciado para o efeito o local onde procedia ao armazenamento dos produtos; efetuava o transporte sem observar as condições necessárias para inibir a multiplicação de micro-organismos; transportava as carnes para produção sem refrigeração; não tinha assegurada a rastreabilidade das matérias-primas e do produto final, nem estabelecidos os procedimentos de retirada dos produtos do mercado; não realizava quaisquer análises para detetar a presença de agentes zoonóticos, quer aos produtos recebidos de terceiros, quer aos que produzia; incumpria diversas normas relativas à rotulagem.

"Por força de todos os incumprimentos, não só as alheiras foram contaminadas por micro-organismos da bactéria clostridium botulinum, com a consequente produção da toxina botulínica, como essa contaminação nunca foi detetada e foi potenciada por não terem sido observados procedimentos de conservação adequados", descreve a acusação, .

As alheiras assim contaminadas foram vendidas nos dias 24 e 27 de agosto de 2015, no stand da sociedade na Feira Agrival 2015, em Penafiel, e nos dias 5 e 10 de setembro de 2015, num restaurante explorado pela sociedade, em Bragança "e consumidas vieram a provocar botulismo em quatro pessoas, com internamento hospitalar e perigo concreto para a vida, dando causa a lesões que demandaram para a cura entre 74 e 181 dias".

Os casos de botulismo tiveram grande repercussão na venda de enchidos em Trás-os-Montes naquela altura, com um impacto muito considerável na venda de alheiras em vários concelhos.

PUB

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG