Lisboa

Mãe de Bárbara Vara foi ouvida na Operação Marquês

Mãe de Bárbara Vara foi ouvida na Operação Marquês

Maria Isabel Figueira, mãe de Bárbara Vara, foi a primeira de quatro testemunhas abonatórias da filha a ser ouvidas pelo juiz Ivo Rosa, esta quarta-feira à tarde, no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em Lisboa, no âmbito da Operação Marquês. Saiu sem prestar declarações aos jornalistas, visivelmente combalida. A filha não esteve presente no TCIC.

Bárbara Vara, filha do ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) Armando Vara, está acusada de dois crimes de branqueamento de capitais relacionados com uma conta bancária na Suíça de uma sociedade offshore onde, segundo o Ministério Público (MP), o seu pai terá depositado um milhão de euros em luvas por, alegadamente, ter favorecido o empreendimento Vale do Lobo (Algarve) num empréstimo ruinoso para o banco público. O dinheiro terá sido depois "branqueado" com a compra de um apartamento em Lisboa.

Bárbara Vara seria beneficiária daquela conta, mas, interrogada na segunda-feira por Ivo Rosa, assegurou ter apenas confiado no pai e nada saber sobre a proveniência do dinheiro. Armando Vara, também arguido no processo, deveria ter prestado declarações, enquanto testemunha, na terça-feira, mas o depoimento foi adiado para 5 de fevereiro devido à greve dos guardas prisionais. A expectativa é de que o ex-administrador da CGD, atualmente a cumprir pena de prisão em Évora no âmbito de outro processo, confirme a versão da filha.

Bárbara Vara esteve, esta quarta-feira, representada em tribunal pelos seus advogados, que, à entrada, adiantaram que iriam "juntar alguns documentos para esclarecer algumas questões que talvez tenham sido publicamente mal interpretadas" na última sessão, na segunda-feira. Em causa estará uma notícia de que a arguida terá recebido um empréstimo particularmente vantajoso do banco público para comprar casa.

"Vamos juntar alguns documentos só para esclarecer as coisas e, como diria alguém há muitos anos atrás, depois é uma questão de fazer as contas", afirmou Rui Patrício, remetendo mais esclarecimentos, "se for caso disso", para o final da sessão. À saída, precisou apenas que se destinaram a explicar o porquê de, hoje, o valor da prestação ser distinto do que foi "no passado".

Esta quarta-feira prestaram igualmente depoimento, à porta fechada, dois amigos da família Vara e João Carlos Silva, antigo secretário de Estado e ex-presidente do Conselho de Administração da RTP. Nenhum arguido esteve presente, esta tarde, no tribunal. Alguns deles fizeram-se representar pelos seus advogados, entre os quais Armando Vara e o antigo primeiro-ministro José Sócrates, acusado de 31 crimes no âmbito deste processo.

No total, estão envolvidos na Operação Marquês 28 arguidos - entre os quais nove empresas - a quem o MP imputou, ao todo, 188 crimes de corrupção, branqueamento de capitais, fraude fiscal, falsificação de documento e posse de arma proibida. Só no final da fase de instrução, iniciada na segunda-feira e com sessões agendadas pelo menos até ao final do mês de maio, se saberá se irão todos a julgamento e por que crimes.

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