Solidariedade

Mãe de Beatriz Lebre lamenta a morte do homicida da filha: "É sempre uma perda"

Mãe de Beatriz Lebre lamenta a morte do homicida da filha: "É sempre uma perda"

O assassino confesso de Beatriz Lebre suicidou-se na cadeia, no domingo à noite. Paula Lebre, mãe da jovem, escreveu que "quando morre uma criança ou um jovem é sempre uma perda para as famílias como para a sociedade".

A mãe de Beatriz Lebre, a jovem de Elvas assassinada e atirada ao rio Tejo, a 22 de maio, pelo colega Rúben Couto, enviou esta tarde as condolências à família do jovem, que ontem foi encontrado morto no Estabelecimento Prisional de Lisboa, onde estava detido e a aguardar julgamento.

Rúben, de 25 anos, estava detido e tinha confessado o assassinato de Beatriz Lebre, cujo corpo atirou ao Tejo, onde viria a ser encontrado alguns dias após a morte. Paula Bochecha Lebre, a mãe de Beatriz, usa as redes sociais para lutar contra a violência, sobretudo a de género, que foi fatal para a filha. "Nunca fui de acordo e continuo ainda a não concordar com a pena de morte (em qualquer circunstância). Não só porque desejo viver numa sociedade com elevado nível civilizacional, mas também porque não havendo sistemas infalíveis prefiro um culpado livre do que um inocente no corredor da morte", escreveu Paula Lebre, num texto onde dá as condolências à família do jovem assassino da sua filha.

"As minhas condolências à família de Rúben Couto. Não é possível medir sofrimento, mas uma morte é uma morte. Quando morre uma criança ou um jovem é sempre uma perda para as famílias como para a sociedade", salientou, frisando ainda que "é perda de património humano" e que "o valor da vida deve sempre ser o supremo de uma sociedade que se diz de direito e de humanos".

A morte do homicida confesso acontece um mês depois de a Polícia Judiciária ter conseguido reconstruir todos os seus passos nos dias anteriores à morte de Beatriz Lebre. No documento emitido pelo Ministério Público, que assenta muito nas trocas de mensagens por telefone, e nos registos das antenas, ficou comprovado que existia uma relação amorosa entre Beatriz Lebre e Rúben Couto. Este namoro era, aparentemente, mantido em segredo da família e amigos de Beatriz, já que a jovem estudante tinha um namorado no Alentejo, na zona de Elvas, onde tinha estado durante o período da quarentena.

A 21 de maio, a véspera do crime, o agressor saiu de casa à hora de almoço para levar Beatriz a passear ao Parque das Nações, em Lisboa, e só regressou a casa à noite. Enquanto isso, Beatriz foi para casa, em Marvila. Mas foi já durante a madrugada que Rúben voltou a casa de Beatriz e já levaria consigo o bastão que usaria para lhe tirar a vida de forma violenta, acreditam as autoridades.

"Numa sociedade que não mata quem matou, deveria haver, no mínimo, mais respeito pelas vitimas. Uma sociedade que não mata quem matou nunca deveria preocupar-se em vasculhar imperfeições nas vitimas com intenção de encontrar justificação para a crueldade de um assassino", escreveu ainda Paula Lebre. E finalizou: "Sirva esta historia para corrigir e melhorar os nossos valores".

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