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Mãe julgada por bater em professora grávida em Lisboa

Mãe julgada por bater em professora grávida em Lisboa

Caso aconteceu em 2019, depois de docente ter obrigado criança, então com seis anos, a comer maçãs. Vítima ficou com stresse pós-traumático, testemunhou esta quinta-feira, em tribunal, o seu médico psiquiatra.

Uma mulher de 29 anos está a ser julgada, no Tribunal Local Criminal de Lisboa, por, em 2019, ter alegadamente insultado e agredido a professora do filho, à data aluno do 1.º ano de escolaridade da Escola Básica Professor Agostinho da Silva, em Marvila, na cidade de Lisboa.

A docente, então grávida de seis semanas, passou a apresentar, na sequência do episódio de violência, sintomas de stresse pós-traumático e continua, ainda hoje, a ser seguida no hospital, garantiu esta quinta-feira, em tribunal, o seu médico psiquiatra. "Está num estado de hipervigilância quando está nas aulas", precisou Miguel Pereira.

O caso remonta a 3 de dezembro de 2019, quando Solange S. entrou, com os três filhos, na escola primária em causa e se dirigiu à sala onde se encontraria, sozinha, a professora de um deles, Mariana B. Segundo a acusação do Ministério Público, a encarregada de educação terá então chamado "filha da p***", "p***" e "cabrona" à docente, empurrando-a contra uma secretária. Esta disse, "de imediato", que estava grávida, mas tal não terá impedido a mãe de lhe dar vários murros no peito e lhe perguntar, enquanto lhe agarrava o braço, se achava bem o que fizera ao filho.

O menino de seis anos tinha, no dia anterior, trincado três maçãs e sido obrigado pela professora a comer "um pouco" de cada uma delas para perceber que "a comida não se devia estragar". O sucedido foi comunicado, nessa tarde, ao pai da criança, que não se opôs à reprimenda. Na sequência da agressão, a vítima ficou com dores abdominais e começou a deitar líquido da vagina, tendo sido transportada, de ambulância, para a Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa.

"Foi tudo a descambar"

Esta quinta-feira, a coordenadora da Escola Básica Professor Agostinho da Silva corroborou, no julgamento da suspeita, que, dias após a agressão, a professora lhe referiu que tinha sido insultada pela arguida. O que terá contado depois é, porém, distinto do que é defendido pelo Ministério Público. Segundo Fátima J., a vítima relatou que, após a ter injuriado, a mãe a agarrou na camisola, tendo-a largado quando lhe comunicou a sua gravidez. No dia do episódio, a coordenadora não se encontrava na escola primária.

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Fátima J. assegurou, ainda, que o que aconteceu foi "um caso isolado", divergindo do que, momentos antes, fora dito pelo pai de uma, à data, colega de turma do filho da arguida. "Houve outros incidentes depois desta situação", recordou Adriano F., exemplificando com o caso em que um progenitor tentou bater num professor de capoeira. Mariana F. foi depois substituída e, até ao final do ano letivo, a turma teve vários professores:"Foi tudo a descambar."

O julgamento prossegue a 27 de abril de 2022, para inquirição da funcionária que, no dia do crime, estaria ao portão da escola. Solange S. está acusada de um crime de injúria agravado, sancionado com multa ou até quatro meses de prisão, e um de ofensa à integridade física qualificada, punido com até quatro anos de cadeia. Esta quinta-feira, a arguida abanou, por várias vezes, a cabeça em desacordo ao ouvir a descrição da agressão de que está acusada.

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