Julgamento

"Máfia de Braga" tinha lista para liquidar jornalistas do JN

"Máfia de Braga" tinha lista para liquidar jornalistas do JN

A Polícia Judiciária encontrou manuscritos no escritório de Coimbra do "bruxo da Areosa" com a indicação para matar dois repórteres do "Jornal de Notícias".

A Polícia Judiciária (PJ) encontrou manuscritos no escritório de Coimbra do "bruxo da Areosa" com a indicação para matar dois repórteres do "Jornal de Notícias". A revelação foi feita, em tribunal, por um inspetor da PJ, durante o julgamento dos suspeitos do crime de Braga.

Os nomes de Luís Moreira e de Joaquim Gomes, jornalistas do JN que investigaram, desde a primeira hora, o rapto do empresário João Paulo Fernandes, de 41 anos, em março do ano passado, em Braga, faziam parte de uma lista, manuscrita, encontrada pela PJ no escritório da ervanária de Coimbra, propriedade de Emanuel Paulino ("bruxo da Areosa"), que, com o advogado Pedro Bourbon, está acusado de ser o mandante do rapto e homicídio do empresário, dissolvido em ácido sulfúrico.

Da lista constavam ainda os nomes de Henrique Noronha, o inspetor-chefe que liderava a investigação; de Luís Neves, responsável da Unidade Nacional Contra o Terrorismo; Gil Carvalho, diretor da PJ de Braga, e da inspetora Diana Duarte, da Diretoria do Norte da PJ, que teve papel relevante na investigação que culminou na detenção dos suspeitos.

Se já eram do domínio público as ameaças à vida dos polícias referidos, desconhecia-se até agora que elas se alargavam aos dois jornalistas do JN.

A revelação surgiu pela boca de Mário Coimbra, da PJ do Porto, quando respondia a questões do procurador sobre o que fora apreendido na ervanária de Emanuel Paulino, em Coimbra. O inspetor falou da lista em que figuravam os quatro colegas e adiantou que havia "também dois jornalistas", sem, no entanto, os nomear. Quem o fez foi o presidente do coletivo de juízes, William Themudo: "E até diz os nomes: Luís Moreira e Joaquim Gomes", interrompeu o magistrado, que continuou lendo a ameaça, "... preciso f...-lhes o sebo".

De salientar que os referidos jornalistas, sobretudo Luís Moreira, logo nas primeiras horas após o rapto, obtiveram pistas que apontavam Pedro Bourbon e o "bruxo da Areosa" como possíveis mandantes do crime. E tentaram obter as respetivas reações às suspeitas que se iam avolumando, desconhecendo que a PJ se direcionava no mesmo sentido.

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