Criminalidade

Mais queixas por violência doméstica do que antes da pandemia

Mais queixas por violência doméstica do que antes da pandemia

As autoridades receberam, entre 1 de janeiro e agosto deste ano, 20 334 participações por violência doméstica, mais 313 do que no mesmo período de 2019, o último ano pré-pandemia de covid-19. Mais de 80% das queixas referiam-se a violência psicológica e cerca de 63% das denúncias a agressões físicas.

Os dados foram revelados, esta terça-feira, pelo ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, na Assembleia da República, numa audição na Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. Desde que, em maio, foi divulgado o Relatório Anual de Segurança Interna de 2021 que o governante tem vindo a alertar que, face às restrições impostas pela pandemia, é necessário comparar dados atuais com 2019 para perceber a real evolução da criminalidade.

Esta terça-feira, José Luís Carneiro ressalvou ainda que as queixas por violência doméstica contabilizadas não incluem, as chamadas "cifras negras" das situações não participadas às autoridades.

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"Isso só é possível com inquéritos à vitimação", defendeu, adiantando que o Instituto Nacional de Estatística (INE) "vai avançar com estudos no terreno para avaliar" essas cifras negras. "O ministério da Administração Interna está a acompanhar esse trabalho e, se não o entendermos como suficiente, temos intenção de nós próprios avançarmos [com um estudo]", acrescentou.

O governante prometeu ainda que, em 2023, ficará operacional uma base de dados de violência doméstica que contará com informações de diversos serviços. "Setenta e cinco por cento do trabalho está feito", frisou.

Igualmente em curso está a revisão, para aumentar a sua eficácia, das fichas de avaliação do risco que uma vítima de violência doméstica corre em determinado momento, incluindo quando apresenta queixa às autoridades. "Precisamos apenas de avançar com a avaliação científica por forma a adaptá-las", salientou, precisando que os cadernos de encargos estão preparados.

"São objetivos que temos em curso", concluiu José Luís Carneiro.

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