Julgamento

Marcelo diz que soube pela Comunicação Social que armas de Tancos tinham sido encontradas

Marcelo diz que soube pela Comunicação Social que armas de Tancos tinham sido encontradas

O presidente da República, Marcelo de Rebelo de Sousa, garantiu, esta quinta-feira, que, em outubro de 2017, só soube pela Comunicação Social que o armamento furtado, três meses e meio antes, dos paióis de Tancos tinha sido encontrado.

"Não recebera, sobre esse aparecimento, qualquer outra comunicação anterior, nem do Governo, nem de chefias militares, nem de Belém, nomeadamente da Casa Militar, seu Chefe, Assessores ou Ajudantes de Campo", sublinhou o chefe de Estado, ao depor por escrito, na condição de testemunha, no julgamento do furto e posterior recuperação encenada do material.

No testemunho - partilhado na página da presidência da República -, Marcelo, precisa que tomou conhecimento da situação ao final da manhã de 18 de outubro de 2017, "pela Comunicação Social, com base em informação veiculada pela Agência Lusa", numa altura em que a sua prioridade era a segunda vaga de fogos florestais que assolava o país.

"No mesmo dia, ou no seguinte, falou-lhe a Senhora Procuradora-Geral da República indignada com a marginalização do Ministério Público, que considerava ilegal e muito grave", acrescenta o presidente da República. O cargo era então ocupado por Joana Marques Vidal.

De acordo com a acusação que seria deduzida em 2019, a operação de recuperação de armas terá sido montada por elementos da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da GNR, à revelia da PJ civil, a quem o Ministério Público atribuíra, entretanto, a investigação.

Dos 23 arguidos que, desde 2 de novembro estão a ser julgados em Santarém no âmbito deste processo, 14 estarão ligados a essa encenação, entre os quais José Azeredo Lopes, à data ministro da Defesa. O ex-governante - que já garantiu ser inocente - é suspeito de ter dado cobertura institucional à descoberta do armamento, na Chamusca.

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No depoimento, Marcelo precisa que "apenas tomaria conhecimento de que poderia ter existido eventual encenação no aparecimento do material, no dia 25 de julho de 2018, através de Senhora Procuradora-Geral da República".

O chefe de Estado foi arrolado como testemunha por Vasco Brazão, ex-porta-voz da PJM e arguido no processo.

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