Escola Naval

Marinha investiga denúncia de "abusos e tortura" de cadetes

Marinha investiga denúncia de "abusos e tortura" de cadetes

A Marinha prometeu investigar internamente a veracidade de uma denúncia que fala de "abusos e tortura" cometidos sobre alunos do 1.º ano da Escola Naval.

Em comunicado emitido pelas 23.11 horas de terça-feira, 19 de outubro, a Marinha reage a notícia sobre a referida denúncia e afirma que, embora não a tenha recebido "diretamente", "iniciou as diligências internas para averiguar e apurar a veracidade dos factos relatados e eventuais responsabilidades".

Aparentemente, a denúncia é a mesma que o JN também recebeu e foi feita pela mãe de um "candidato\cadete de 1º ano da escola naval". "Por razões que facilmente perceberão, peço-vos que a minha identidade não seja divulgada, não para minha proteção mas para proteção do meu filho que é candidato\cadete de 1º ano da escola naval", começa por escrever.

A denunciante diz que tentou conter-se, mas, face ao alegado agravamento da situação na "última semana", decidiu quebrar o silêncio.

"Desde o início da recruta que me têm sido relatados comportamentos completamente abusivos por parte dos cadetes "enquadrantes" sob a cobertura e anuência do Comandante do Corpo de Alunos da Escola Naval", aponta. "Pensei que isso seria uma fase inicial mais dura, que terminaria com a recruta e seleção dos candidatos, mas a verdade é que o nível de abusos e tortura tem estado a aumentar de semana para semana".

Cospem-lhes na cara

"Não me falem em tradição", pede denunciante.

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"Privar jovens de dormir mais do que duas horas por noite, não deixá-los beber água quando estão a ser sujeitos a esforços físicos intensos, obrigá-los a fazer "pranchas" com os cotovelos em cima de gravilha, pisar-lhes as mãos quando vacilam por já não aguentarem mais, dar-lhes pontapés porque não conseguiram chegar às 200 flexões, obrigá-los a vomitar porque na cantina comeram o prato de opção em vez do prato principal, cuspir-lhes na cara, não os deixar tomar banho nem fazer necessidades quando precisam, meter-lhes cigarros na boca enquanto fazem flexões até que se queimem... Que tradições são estas?", contesta.

A alegada mãe deixa um aviso: "Um dia destes repetem-se desgraças do passado e se se perder alguma vida, não há tradição nem pedido de desculpas que traga de volta os filhos aos pais".

A denúncia diz que as únicas provas daqueles factos são "a palavra dos miúdos, porque o uso do telemóvel só é permitido durante cerca de dez minutos para telefonarem às quartas e sextas-feiras".

A mulher diz que não é a única pessoa "incomodada com o que se está a passar". "No início da semana passada já foram feitos mais relatos destas situações junto de alguns elementos da Marinha", acrescenta.

O resultado daquelas denúncias, segundo diz, "foi terem ameaçado todos os candidatos\cadetes de 1º ano de que se houvesse mais alguma situação de denúncia as coisas iriam piorar muito e que se alguém lhes fosse perguntar alguma coisa deveriam dizer que dormem um mínimo de seis horas por noite e que são bem tratados, negando qualquer situação de abuso".

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