Polémica

Mensagens entre seguranças no caso Ihor: "Mataram o gajo"

Mensagens entre seguranças no caso Ihor: "Mataram o gajo"

Pessoal do Aeroporto de Lisboa trocou mensagens sobre tortura e homicídio de cidadão ucraniano logo após o sucedido.

Uma cidadã romena que trabalhava no Aeroporto de Lisboa disponibilizou à Polícia Judiciária um conjunto de mensagens de "WhatsApp" que mostra que vários funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e seguranças acompanharam os acontecimentos que culminaram na morte do ucraniano Ihor Homeniuk, em 12 de março deste ano, às mãos de três inspetores.

"Olha, deu nisto. Mataram o gajo", lê-se numa das mensagens de "Whatsapp", publicadas no "Correio da Manhã". Trocadas num grupo de conversação fechado, cujos membros eram seguranças e funcionários do SEF no Aeroporto de Lisboa, as mensagens demostram que aqueles estavam preocupados não tanto pelo sucedido, mas, sobretudo, por quem poderia ser responsabilizado: "Pensava que tivesse sido algo que algum de nós tivesse feito (...) Mas a culpa não foi nenhum de nós, ainda bem. Que a culpa seja dos outros".

A autópsia ao corpo de Ihor Homenyuk revela que o homem foi violentamente espancado e tinha várias costelas fraturadas, mas um dos membros do grupo de "Whatsapp" também diz que "o homem foi algemado com demasiada força e perdeu a circulação nos braços". "O gajo também tinha epilepsia", aventa outro.

Um dos interlocutores relatou o alegado estado de Ihor Moenyuk na sala onde este, no último dos dois dias que passou no centro de instalação temporária do Aeroporto de Lisboa, foi espancado, algemado, amarrado com adesivo e deixado a agonizar durante mais de oito horas: "Estava parcialmente despido, sentado no chão ou num colchão. A sala cheirava mal. Estava praticamente inanimado".

Testemunha emigrou para a Alemanha

Estas mensagens de Whatsapp constam do processo porque, durante a investigação que culminou na acusação de três inspetores do SEF por homicídio qualificado, foram fornecidas à Polícia Judiciária por uma testemunha de nacionalidade romena. Trata-se de uma mulher que, segundo noticiou o "Expresso" em junho, vivia desde a adolescência em Portugal e, já após a morte de Ihor Homenhyuk, emigrou para a Alemanha.

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Segundo contou o mesmo jornal, aquela mulher estava de serviço há algumas horas quando viu chegar ao centro de instalação temporária três inspetores do SEF seus conhecidos. Um trazia um bastão e outro um par de algemas. O inspetor Luís Silva dirigiu-se à segurança e, para que ficasse registada a entrada dele e dos colegas na sala onde estava Ihor Homenyuk, deu uma ordem, que foi respeitada, à segurança: "Atenção, você não vai colocar aí os nossos nomes, ok?".

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