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Mentira de doente Covid-19 põe INEM e hospital em risco

Mentira de doente Covid-19 põe INEM e hospital em risco

Indivíduo ligou ao 112 devido a dor torácica e negou estar infetado com Covid-19. Só no hospital de Santo António é que foi detetado.

Ligou para o INEM porque se sentia mal. Quando lhe perguntaram se estava infetado com o novo coronavírus disse que não. Foi então levado para o Hospital de Santo António, no Porto, onde o pessoal médico verificou que afinal era doente com Covid-19, testado positivo há algumas semanas. Pôs em risco de contágio os elementos do INEM, bombeiros, doentes e profissionais de saúde do hospital.

Por ter mentido sobre o estado de saúde, o homem pode agora ser indiciado por crime de propagação de doença infeciosa e pode ser condenado a uma pena de prisão até oito anos.

O caso aconteceu na quarta-feira cerca das 13 horas. O homem, de 57 anos, reside com a mulher (também infetada) no Bairro de Francos, Porto, ligou para o 112. Queixava-se de dor torácica forte e alegou ser doente cardíaco.

O operador do Centro de Orientação de Doentes Urgentes fez perguntas sobre os sintomas, que não eram, à partida, compatíveis com a Covid-19.

Perante o cenário clínico descrito, foi imediatamente chamada uma equipa do INEM, constituída por um enfermeiro e uma médica.

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Só esteve em contacto direto com a médica

Já na casa do doente, a médica perguntou se tinha conhecimento de ter sido infetado pela Covid-19. O indivíduo respondeu expressamente que não, faltando à verdade.

De acordo com informações recolhidas pelo JN, apenas a médica esteve em contacto direto com o doente, enquanto o enfermeiro ficou à distância. Os profissionais do INEM estão a limitar os contactos físicos com os doentes ao estritamente necessário, precisamente para evitar eventuais contágios.

A médica tomou a decisão de transportar o doente para o hospital. Para o serviço, foram contactados os Bombeiros Portuenses. Dois elementos da corporação deslocaram-se ao Bairro de Francos. O homem foi levado para a ambulância e transportado para a urgência do Santo António.

Nesta unidade de saúde, o doente passou pela triagem de Manchester, onde teve contacto com um enfermeiro. Depois, aguardou a consulta médica na sala, onde havia outros doentes.

Foi depois chamado para ser visto pelo médico de serviço. No consultório, a ficha clínica do doente, consultada no sistema informático do hospital, revelou que afinal o homem tinha Covid-19. Soaram logo os alarmes e o indivíduo foi de imediato encaminhado para uma zona isolada.

Entretanto, o hospital comunicou o caso à PSP, que tem um posto instalado junto à urgência. Também foram contactados os elementos do INEM e os dois bombeiros.

"Tivemos e temos sempre todas as precauções no nosso dia a dia. Os dois bombeiros foram colocados de quarentena profilática", esclareceu, ao JN, Joaquim Caldas, comandante dos Bombeiros Portuenses.

Incógnita

Ninguém sabe por que razão o indivíduo mentiu à médica do INEM e omitiu a infeção por Covid-19 ao enfermeiro e ao médico do Hospital de Santo António. O homem deverá ser interrogado e constituído arguido pelo Ministério Público.

Sem proteção

A médica que assistiu o indivíduo terá prestados os primeiros cuidados sem proteção individual acrescida, uma vez que o doente afirmou não estar infetado com o coronavírus.

Denúncias na ASAE

A ASAE recebeu num mês cerca de 4500 denúncias, 75% das quais no contexto da pandemia de Covid-19, a maioria sobre a prática de preços especulativos em produtos como máscaras, álcool e álcool-gel. Entre 13 de março e 14 de abril foram recebidas denúncias relativas ao crime de desobediência e outras relativas a incumprimento de normas de higiene.

Resistência

O MP acusou por desobediência e resistência e coação um homem que recusou uma ordem da GNR para sair de uma bomba de gasolina, em Sarilhos Grandes, no Montijo, onde, há dias, consumia álcool. Perante a advertência por violação das regras do estado de emergência, o arguido empurrou e ameaçou um militar.

275 pessoas detidas, desde 22 de março, por desrespeitarem as normas do estado de emergência, incluindo a obrigatoriedade de permanecerem em casa. São mais 14 do que no balanço efetuado no dia anterior (261).

2104 estabelecimentos encerrados pelas autoridades por não cumprirem as regras. São mais 19 do que no balanço anterior. Cerca de 80% foram fechados até ao fim da primeira fase do estado de emergência, no dia 2.

69 cidadãos apanhados na rua, no mesmo período, apesar de estarem proibidos de sair da residência por estarem infetados com Covid-19 ou por terem contactado com alguém nessa condição. No dia anterior, eram 63.

1164 reclusos libertados desde sábado para evitar a propagação da Covid-19. Destes, 29 saíram ontem da cadeia: oito na região de Lisboa, seis na do Porto, cinco na de Évora, cinco em Aveiro e cinco em Ponta Delgada.

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