Julgamento

Mentor de assalto a Tancos admite que referência a Azeredo pode ter sido para ganhar a sua confiança

Mentor de assalto a Tancos admite que referência a Azeredo pode ter sido para ganhar a sua confiança

O alegado mentor do assalto, em 2017, aos paióis militares de Tancos admitiu, esta quinta-feira, em tribunal, que lhe pode ter sido dito que Azeredo Lopes, à data ministro da Defesa, estava a par da ação que culminaria na recuperação encenada do armamento furtado apenas para ganhar a sua confiança.

João Paulino, de 34 anos, garantiu, ao depor no julgamento, que falou apenas com dois militares da GNR de Loulé para conseguir devolver o material subtraído de Tancos: Bruno Ataíde, seu amigo de infância, e o chefe deste, Lima Santos.

"Não conheci mais ninguém sem ser o Bruno Ataíde e o Lima Santos", assegurou o ex-fuzileiro, que condicionou a entrega do armamento à existência de uma garantia de que não seria preso. "Nunca quis falar com mais ninguém: tinha medo de ser preso e não confiava ainda a 100%", afirmou o arguido.

Durante essas conversações, Ataíde terá pressionado Paulino a falar com os seus chefes, nomeadamente da Polícia Judiciária Militar (PJM), que presumia serem os responsáveis pela investigação ao assalto. Vasco Brazão, igualmente arguido no processo, terá sido uma das pessoas mencionadas, mas não só.

"Disseram-me: 'está a ser seguido pelo ministro da Defesa", afirmou, admitindo que a referência a Azeredo Lopes tenha sido "uma maneira de transmitir segurança". O antigo governante nega, desde o início e ao contrário do que sustenta o Ministério Público, ter tido conhecimento da investigação efetuada pela PJM à revelia da PJ civil, mandatada para liderar o inquérito.

O material, furtado na madrugada de 27 para 28 de junho de 2017, acabaria por ser recuperado, numa operação montada por elementos da PJM e da GNR, a 18 de outubro do mesmo ano. Na ocasião, foi comunicado que a indicação do local onde se encontrava o armamento fora dada através de uma chamada anónima, que o MP defende não ter existido.

"Achei estranho. Estava ali qualquer coisa mal contada", reconheceu, esta quinta-feira, Paulino, que diz ter optado por se desfazer do material na sequência do alarido causado pelo furto, com referências a "terrorismo" e "mercenários".

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O ex-fuzileiro responde, ao todo, por seis crimes, entre os quais terrorismo e tráfico e tráfico e mediação de armas. Já o antigo governante responde por quatro crimes, incluindo denegação de justiça e favorecimento pessoal praticado por funcionário.

O processo conta com 23 arguidos: nove presumivelmente ligados ao assalto e 14 à recuperação encenada do material, na Chamusca. Ataíde e Lima Santos integram, igualmente, este último grupo.

O julgamento prossegue esta quinta-feira, no Tribunal Judicial de Santarém.

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