Beja

Militares da GNR acusados de agressões a imigrantes começam a ser julgados

Militares da GNR acusados de agressões a imigrantes começam a ser julgados

O Tribunal de Beja começa esta quarta-feira a julgar sete militares da GNR acusados pelo Ministério Público (MP) de um total de 33 crimes contra imigrantes em Odemira, como sequestro e agressão, em casos ocorridos em 2018 e 2019.

Os militares foram suspensos de funções depois de, em janeiro deste ano, terem sido tornadas públicas imagens das agressões a trabalhadores. Como o prazo de suspensão caducou, voltaram ao ativo na GNR.

O regresso dos militares foi confirmado ao JN por fonte do Gabinete de Comunicação e Relações Públicas do CTBeja, que acrescentou que "nenhum dos sete elementos está colocado na área deste comando, sendo desconhecido os locais onde exercem serviço".

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A investigação, realizada pela Polícia Judiciária, foi noticiada pelo JN a 22 de setembro de 2020, quando ainda só existiam quatro arguidos. O caso começou na sequência da detenção de cinco militares em 2019, quatro do Posto de Vila Nova de Milfontes e um de Odemira.

Os inspetores apreenderam os telemóveis dos arguidos e encontraram fotografias e vídeos de cidadãos asiáticos a serem obrigados a fazer flexões, polichinelos e a rastejar, tanto no exterior como no interior do posto. O caso foi remetido para o Ministério Público de Odemira, que ordenou a investigação num processo autónomo.

Três dos militares estão envolvidos no primeiro processo, julgado por um coletivo de juízes do Tribunal de Beja e condenados a penas suspensas.

Crimes de que são acusados

Rúben Candeias, de 26 anos e natural de Beja, está acusado de 11 crimes, sendo seis de ofensa à integridade física qualificada, quatro de abuso de poder e um de sequestro.

Nelson Lima, de 30 anos e natural de Lajes-Praia da Vitória, Diogo Ribeiro, de 29 anos, natural de Arnóia-Celorico de Basto, e Nuno Andrade, de 33 anos e natural de Caçarilhe-Celorico de Basto, estão acusados de cinco crimes cada um, nomeadamente um de abuso de poder e quatro de ofensa à integridade física qualificada.

João Miguel Lopes, de 31 anos, natural da Guarda, está acusado de três crimes, um de abuso de poder, um de ofensa à integridade física qualificada e um de sequestro.

Carlos Figueiredo, de 32 anos e natural da Guarda, e Paulo Cunha, de 27 anos, natural do Porto, estão acusados de dois crimes: um de abuso de poder e um de ofensa à integridade física qualificada.

Só dois arguidos prestam declarações

Só dois dos sete militares da GNR arguidos no processo falaram sobre as acusações de que são alvo, em tribunal. Nelson Lima e Diogo Ribeiro, ambos acusados de um crime de abuso de poder e quatro de ofensa à integridade física qualificada, mostraram disponibilidade para falar perante o coletivo de juízes.

O primeiro a prestar declarações foi Nelson Lima. "Não bati em ninguém. A minha intervenção foi de passagem, estive no local 20 segundos. Aquilo não foi mais do que uma brincadeira ", justificou. Diogo Ribeiro alinhou pela mesma narrativa, referindo que, quando chegou ao local, "os indivíduos estavam a fazer exercícios". "Foi apenas uma brincadeira parva, de forma alguma foi ofensa à integridade física", concluiu.

João Miguel Lopes, o único a apresentar-se fardado, acabou por se remeter ao silêncio.

Para comprovar os atos praticados pelos arguidos em Vila Nova de Milfontes, foi exibido o vídeo feito por um dos acusados.

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