Odemira

Militares da GNR filmaram abusos a imigrantes

Militares da GNR filmaram abusos a imigrantes

Sete militares do posto da GNR de Vila Nova de Milfontes, Destacamento Territorial de Odemira, foram acusados pelo Ministério Público (MP) de 33 crimes, entre os quais sequestro, ofensas à integridade física qualificada e abuso de poder. As vítimas são de países asiáticos e a maioria já deixou Portugal.

Segundo a TVI/CNN Portugal, que teve acesso ao despacho de acusação que o MP proferiu no passado dia 10 de novembro, os militares cometeram os crimes "fazendo um uso excessivo de poder de autoridade que o cargo lhes confere". O caso foi revelado em exclusivo pelo JN, em 22 de setembro do ano passado, quando deu conta que quatro militares, dois dos quais condenados num anterior processo de agressão a imigrantes indianos, tinham sido constituídos arguidos pela Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal.

Aquando da detenção de cinco militares, em 8 de maio de 2019, pelos atos perpetrados contra os imigrantes, a PJ apreendeu e analisou os telemóveis dos arguidos, tendo detetado as fotografias e vídeos onde outros cidadãos asiáticos são obrigados a fazerem flexões, polichinelos e a rastejar tanto no exterior como no interior do posto. Depois de verem as imagens, os inspetores remeteram o caso para o Ministério Público de Odemira que extraiu uma certidão e ordenou a investigação num processo autónomo.

A PJ de Setúbal notificou os dois militares, de 24 e 27 anos, proprietários dos telemóveis, para prestarem declarações, tendo-os constituído arguidos. A assistir às ações estavam outros cinco militares do posto, mas só dois deles foram identificados, tendo também sido constituídos arguidos. Os outros três militares que apareciam nas fotos e nas filmagens, estavam de costas, não sendo possível a identificação direta, não tendo os mesmos sido identificados por nenhum dos quatro arguidos. No entanto, o comandante do posto foi chamado a depor perante a PJ e identificou os referidos militares pelas vozes.

Num processo julgado no Tribunal de Beja, cujo acórdão foi proferido no dia 3 de julho de 2020, e que teve origem num jantar na última noite do mês de setembro de 2018, num restaurante de Almograve (Odemira), os dois principais envolvidos nesta investigação, que acusa os sete militares, foram condenados, um a quatro anos de prisão e outro a 3 anos e 6 meses de prisão, ambos suspensos de funções na GNR durante 2 anos.

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