Crime

Mistério do homicídio de "Conde" há três meses por esclarecer

Mistério do homicídio de "Conde" há três meses por esclarecer

É um dos casos mais misteriosos e complexos que a Polícia Judiciária (PJ) tem em mãos. O homicídio de Fernando Ferreira, de 63 anos, conhecido como "Conde", empresário de Guimarães do ramo da eletricidade, aconteceu há três meses e não há, ainda, arguidos ou uma explicação para o crime, embora tudo aponte para um ajuste de contas.

Fernando "Conde" desapareceu na noite de 8 de fevereiro. Saiu de casa, em Creixomil, e disse à mulher que ia a Caldas das Taipas, a sete quilómetros, ter com "Toni do Penha". Nunca mais apareceu e desde praticamente o primeiro momento toda a gente temeu o pior.

Depois de vários dias de buscas, o corpo acabou por ser encontrado no parque de lazer de Barco, a dois quilómetros das Taipas, na margem do Rio Ave parcialmente dentro de água e encoberto por vegetação. Três dias antes tinha sido encontrado o seu telemóvel, também em Barco, mas noutra zona.

O corpo de Conde não tinha sinais de estar há mais de uma semana no rio, mas a face estava desfigurada, motivo pelo qual o seu reconhecimento teve de ser feito com recurso a análise de ADN. Entre os elementos que podem ser importantes para resolver o mistério estão o telemóvel de Fernando e o resultado da autópsia que revela a causa da morte, conhecida das autoridades, mas desconhecida da família.

Família desespera

"Ainda não tive acesso ao relatório, é isso que vamos pedir, mas está tudo parado no tribunal", disse o filho de Fernando "Conde", ao JN. A família constituiu-se assistente no processo antes mesmo de o corpo aparecer.

Agora, em período de estado de emergência, só os atos urgentes são despachados e a consulta do processo não é um deles. Para além disso, sem arguidos constituídos, é pouco provável que seja concedido o acesso à família numa fase tão preliminar da investigação. "Só vamos parar quando tivermos alguma informação sobre o que se passou, porque não pode cair no esquecimento", refere o filho.

A PJ não tem dúvidas de que Fernando "Conde" foi executado, embora sejam muitos os mistérios que rodeiam o caso. Desde logo, a localização do automóvel da vítima, um Volvo C30 de cor preta, que até hoje não apareceu, bem como a tentativa de suicídio de "Toni do Penha", a única testemunha do processo.

A investigação está a cargo da Secção Regional de Combate ao Terrorismo e Banditismo da Diretoria do Norte da PJ. É uma brigada liderada que trata de crimes de elevada complexidade e banditismo altamente organizado. É especializada em sequestro e raptos.

Equipa da "Máfia de Braga"

Entre os vários casos já resolvidos por esta equipa de investigação criminal está o da "Máfia de Braga". Remonta a 11 de março de 2016 quando o empresário João Paulo Fernandes foi agredido e raptado ao chegar a casa com a filha de oito anos, que assistiu a tudo. O corpo nunca foi encontrado - foi dissolvido em ácido - mas seis homens foram condenados por terem executado o assassinato. Cinco a pena máxima, entre eles o advogado Pedro Bourbon e o "Bruxo da Areosa", Emanuel Paulino.


8 jan

Fernando "Conde" saiude casa, na freguesia de Creixomil, dizendo que se ia encontrar com "Toni do Penha". Conduziu até à zona de Caldas das Taipas no Volvo C30 preto e não regressou. A família lançou, então, vários apelos nas redes sociais.

14 a 19 jan

Nas buscas no Rio Ave efetuadas pelas autoridades, bombeiros e população foi encontrado o telemóvel da vítima, junto a um ribeiro, em Barco, freguesia vizinha de Caldas das Taipas. Foi a 18 de janeiro.

22 jan

O corpo de Fernando Conde é encontrado no rio Ave, no parque de lazer de Barco. Estava a cerca de um quilómetro, a montante, do local onde foi achado o telemóvel. Manuel Ribeiro, morador de Barco, foi quem chamou as autoridades depois de ver o corpo no rio.

Um dos contornos mais misteriosos da investigação é a ligação ao caso de um empresário conhecido como "Toni do Penha", com quem Fernando Conde disse ter encontro marcado na noite do desaparecimento, a 8 de janeiro. "Toni" é um empresário ligado à restauração que já geriu estabelecimentos de diversão noturna. A alcunha advém do facto de já ter sido dono da discoteca Penha Club, em Guimarães.

Poucos dias depois do desaparecimento, "Toni" foi ouvido pela Polícia Judiciária, na qualidade de testemunha, mas com a presença de um advogado. Disse que não esteve com Fernando na noite do desaparecimento, sem adiantar mais pormenores. Já depois do depoimento, o primeiro local onde foram feitas buscas no rio Ave está localizado a menos de 500 metros da casa de "Toni do Penha", em Sande São Clemente.

Salvo no último momento

Naquela zona, as buscas por Fernando duraram até à manhã do dia 15 . E ao início da tarde "Toni "do Penha tentou cometer suicídio dentro de casa. Foi assistido pela equipa médica da VMER e pelos Bombeiros das Taipas, que conseguiram evitar a sua morte, transportando-o para o Hospital de Guimarães. Depois disso, "Toni " ainda foi assistido em Braga e esteve algum tempo fora de casa.

Recentemente, a testemunha já regressou a casa e continua a fazer a sua vida normal. O JN tentou contactá-lo na residência, mas nunca abriu a porta. O contacto telefónico associado à sua conta do Facebook, que antes do caso acontecer funcionava, encontra-se sempre desligado, apesar de "Toni" ser ativo naquela rede social.

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