Justiça

Mistério e silêncio em rapto de empresário

Mistério e silêncio em rapto de empresário

A família do empresário raptado em Braga não encontra explicação para o crime, ocorrido na noite de sexta-feira, na zona de Lamaçães.

À medida que o tempo passa e o silêncio dos raptores se mantém, cresce o temor entre os familiares de que o pior venha a acontecer. A Polícia Judiciária do Porto explora várias possibilidades, quase todas relacionadas com os negócios da vítima, Paulo Fernando Fernandes, 42 anos: extorsão de dinheiro, cobrança de dívida, ou tentativa de silenciamento.

O crime aconteceu às 21 horas, no acesso à garagem do prédio número 37 da Avenida Dr. António Palha, onde a vítima reside. Três encapuzados, com shotguns, forçaram-no a sair do carro, onde também estava a filha, de oito anos, e, perante a sua resistência, agrediram-no a soco e meteram-no depois num Mercede Classe A cinzento, fugindo a grande velocidade. A criança subiu, em pânico, ao rés do chão, contando o que se tinha passado ao pessoal da Farmácia de Lamaçães que, de imediato, alertou as autoridades.

João Paulo Fernando Fernandes, dizem fontes próximas da família, "tem uma vida estável, sem dívidas de monta, nem inimigos e não frequenta meios marginais. Divorciado, não se lhe conhecem problemas amorosos, "nem se mete em confusões". Ninguém percebe, por isso, de onde partiu a "encomenda", referem outras fontes que conhecem a vítima.

Insolvência polémica

Desde 2012, Paulo Fernandes tem pago aos credores da insolvência da empresa de colocação de ar condicionado que possuía. "Hoje, tem mais a haver do que a pagar", disse ao JN um gerente bancário da cidade, que solicitou o anonimato. O empresário trabalha atualmente em França, em Bordéus, com um irmão, numa firma da construção civil, como subempreiteiro. Nessa qualidade, e porque não concorre a grandes obras, a empresa - asseguram - não tem conflitos, nem dívidas.

Apesar disso, não possui dinheiro ou bens que possam sustentar um pedido de resgate. Por outro lado, e embora a insolvência da empresa do pai - a Sociedade de Construções JM Fernando Fernandes - tenha sido conflituosa, nada parece apontar para que alguém tenha querido vingar-se no filho. A sociedade, de média dimensão, era uma das mais prestigiadas da cidade e conhecida pela qualidade dos prédios que edificou ao longo de anos de atividade.

Este último processo de insolvência originou, no entanto, uma queixa no Ministério Público (MP), por suspeita de burla na venda de bens - nomeadamente casas e terrenos - que estavam em nome da família. A queixa prendia-se com um alegado abuso de confiança de um mediador e da empresa compradora, que terá ficado com os bens a preço muito abaixo do de mercado.

Estaria em causa, ao que o JN apurou, uma verba superior a um milhão de euros, O caso - no qual Paulo Fernandes era a principal testemunha - foi arquivado pelo MP. Daí que fontes ligadas ao processo tenham adiantado que "não faz sentido tentar silenciar alguém num processo que findou".

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