Transportes

MP investiga contratos de vereador de Coimbra com empresa do filho

MP investiga contratos de vereador de Coimbra com empresa do filho

O Ministério Público já abriu uma investigação ao caso do vereador socialista da Câmara Municipal de Coimbra, Jorge Alves, que celebrou vários contratos, enquanto presidente dos Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), a uma empresa do filho.

"Confirma-se a instauração de um inquérito que corre termos no DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] Regional de Coimbra", confirmou ao JN, esta terça-feira, fonte oficial da Procuradoria-Geral da República.

Estão em causa contratos que Jorge Alves, na qualidade de presidente dos SMTUC, adjudicou, por ajuste direto, com a empresa STRA, gerida pelo filho e fundada por um sobrinho do autarca

Entre 2016 e 2019, os SMTUC celebraram pelo menos quatro contratos com aquela empresa, no montante de cerca de 200 mil euros. Mas dois deles terão sido celebrados antes de Jorge Alves assumir a presidência dos SMTUC. O vereador presidiu ao Conselho de Administração dos SMTUC em dezembro de 2017, sucedendo a Rosa Reis Marques, a socialista que preside agora à Administração Regional de Saúde do Centro.

Jorge Alves - que detinha importantes pelouros, como a Proteção Civil e Polícia Municipal -já não é vereador desde sexta-feira da semana passada. Foi a câmara presidida pelo socialista Manuel Machado que, sem esclarecer as verdadeiras razões, anunciou em comunicado que o edil cessara funções. As verdadeiras razões da saída não foram esclarecidas, mas isso aconteceu depois de os contratos serem divulgados, de forma satírica, nas redes sociais.

Os vereadores Regina Bento, em nome do PS, e Francisco Queiroz, da CDU, acompanhavam Jorge Alves, na qualidade de vogais, no conselho de administração dos SMTUC, sendo que o presidente da Câmara de Coimbra esclareceu, na sexta-feira, que mantém confiança em ambos.

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A investigação do caso deverá ser entregue a brigada da Diretoria do Centro da Polícia Judiciária responsável pelas investigações da criminalidade económico-financeira. A Procuradoria-Geral da República nada disse sobre os tipos de crimes que poderão estar em causa.

Os partidos e movimentos representados na Câmara Municipal e Coimbra vêm exigindo esclarecimentos e assunção de responsabilidades a Manuel Machado. Este fez saber que a autarquia tinha aberto um inquérito interno.

A sociedade anónima STRA recolherá dados gerados pelos sensores dos autocarros em tempo real e, através de um algoritmo de inteligência artificial, consegue prever e antecipar a ocorrência de desgaste e de avarias graves, permitindo ações atempadas por parte do cliente e, consequentemente, menos custos e tempo em oficina, garante.

A empresa, que tem como administrador Rui Maranhas Alves da Luz Sales, um dos filhos de Jorge Alves, foi fundada em 2012 por aquele indivíduo e por Ricardo Nuno Conde Margalho, sobrinho de Jorge Alves, com o capital social de dois euros, segundo revelou o jornal digital "Notícias de Coimbra".

Segundo a mesma fonte, em 2016, a sociedade aumentou o capital social para 50.004,00 Euros e admitiu mais dois sócios.

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