Homicídio de triatleta

"Prova testemunhal e pericial é zero" reconhece MP sobre Rosa Grilo e António Joaquim

"Prova testemunhal e pericial é zero" reconhece MP sobre Rosa Grilo e António Joaquim

O Ministério Público pediu, esta terça-feira, pelo menos 20 anos e meio de prisão para Rosa Grilo e o amante, António Joaquim, por terem alegadamente assassinado o triatleta Luís Grilo, no verão de 2018.

Na sessão desta manhã, os advogados de defesa puseram em causa praticamente toda a prova recolhida pela Polícia Judiciária (PJ) e pediram a absolvição dos seus clientes.

Nas suas alegações finais, o procurador do MP admitiu que houve "facilitismo" por parte do laboratório científico da instituição, mas ainda assim deu o crime como provado.

Apesar de reconhecer que "a prova testemunhal e pericial é zero", o magistrado considerou que o testemunho de Rosa Grilo foi suficiente para se incriminar a si e a António Joaquim, ambos em prisão preventiva.

Em causa está o facto de, além de ter colocado a arma do amante no local do crime, ter dito que não sabe disparar e de mostrar não saber como foi morto o marido. O procurador conclui, assim, que só poderia ter sido António Joaquim a matar Luís Grilo, por acordo consigo.

Já Tânia Reis, advogada de Rosa Grilo, frisou que se trata apenas de "prova indireta", insuficiente para dar como certos os factos que constam da acusação. E alegou que a PJ não investigou todas as possibilidades, como a alegada presença de quatro homens, em dois carros topo de gama, no local onde o corpo de Luís Grilo foi encontrado, em Avis, em agosto de 2018.

"A decisão não pode ser outra senão a absolvição, in dubio pro reo", sustentou, acrescentando que será "um erro judiciário se os arguidos vierem a ser condenados".

"O arguido foi preso para investigar, não se investigou para prender", sublinhou, por sua vez, o advogado de António Joaquim. Segundo Ricardo Serrano Vieira, foram 11 as violações do manual de procedimentos da PJ realizadas. "É um escândalo", afirmou. Admitiu, no entanto, que o seu cliente deve ser condenado por detenção de arma proibida.

A leitura do acórdão está agendada para 10 de janeiro de 2020, no Tribunal de Loures.

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