Faro

MP pede prisão efetiva para ex-segurança que esfaqueou o antigo senhorio

MP pede prisão efetiva para ex-segurança que esfaqueou o antigo senhorio

O Ministério Público (MP) pediu, esta terça-feira, a condenação a uma pena de prisão efetiva para o ex-segurança que esfaqueou o antigo senhorio no Fórum Algarve, em Faro. António Damião, de 60 anos, é acusado de homicídio qualificado na forma tentada, ameaças e ofensa à integridade física, num total de 11 crimes. Reincidente, o arguido já cumpriu pena por tráfico de droga na noite algarvia.

Durante as alegações finais, o advogado que representa o antigo senhorio também pediu a condenação, mas foi mais longe. "Só uma pena de prisão não vai resolver o problema do cidadão nem da sociedade que o rodeia. O Estado tem a obrigação de prendê-lo, mas também de tratá-lo", disse Miguel Fonseca, remetendo para a perícia à personalidade do arguido, que o considera sociopata, com graves distúrbios de personalidade.

A tentativa de homicídio ocorreu a 21 de novembro de 2018. António Damião não pagava a renda de casa. Cruzou-se com a vítima no centro comercial e, segundo a Acusação, ameaçou-a de morte e atingiu-a com uma faca "com uma lâmina de 16 centímetros, tipo foice", causando-lhe ferimentos no crânio e nos braços.

A agressão foi filmada por uma testemunha e publicada nas redes sociais. Damião já tinha feito anteriores ameaças ao senhorio. "Não te esqueças que tens uma criança e posso começar por aí", "tens uma caçadeira à espera" e "vamos à escola esperar a tua mulher" foram algumas das mensagens que enviou e que constam da Acusação. Ainda em novembro, procurou a vítima na pastelaria de que é proprietário e no ginásio, munido da foice, e dizendo "eu venho para o matar".

Para além do episódio no centro comercial, a Acusação contra Damião refere outros seis casos com outras tantas vítimas. Durante o julgamento, o arguido aceitou esclarecer cada um deles. Admitiu ter injuriado e ameaçado os visados, mas rejeitou a intenção de matar. Sobre a foice e a marreta apreendidas pela PSP disse que eram "para cortar silvas e salvar gatos" e ainda "prender cavalos" que afirma resgatar. Os restantes referem-se a ameaças de morte e agressões em ginásios, num café, numa oficina e no trânsito. Terá dado duas estaladas a uma mulher e partido uma perna a um homem. A leitura do Acórdão ficou marcada para 21 de fevereiro.