Julgamento

Mulher diz que deixou bebé em ecoponto mas com intenção de alguém o encontrar

Mulher diz que deixou bebé em ecoponto mas com intenção de alguém o encontrar

Sara Furtado, de 24 anos, confessou esta quarta-feira em tribunal que deitou o próprio bebé num ecoponto em Lisboa, não para se desfazer dele, como o Ministério Público entende, mas com a intenção de que fosse encontrado.

A arguida emocionou-se a relatar aos juízes a sua versão dos factos e justificou o ato com a "vergonha" e "medo" que tinha de ter um filho e viver na rua. O coletivo de juízes perguntou porque razão colocou o bebé dentro de um ecoponto fechado se queria que este fosse encontrado, ao que Sara respondeu que "acreditava que fosse assim".

"Eu queria ter o filho quando soube que estava grávida, aos sete meses de gravidez, mas esperei que as coisas melhorassem para o poder criar", disse Sara Furtado. Questionada sobre o que fez entre a notícia de estar grávida e o parto no sentido de encontrar melhores condições de vida, a mulher disse nada ter feito.

Sara Furtado está acusada de homicídio qualificado tentado. O Ministério Público acredita que deu à luz na madrugada de dia 3 de novembro de 2019 e abandonou o bebé num ecoponto junto a uma discoteca depois de dar à luz, na zona de Santa Apolónia, em Lisboa, onde dormia numa tenda com o companheiro, que não é o pai da criança e de quem escondeu a gravidez.

Nessa madrugada, a jovem de então 22 anos sentiu contrações e disse que ia dar uma volta, recusando que o seu companheiro a acompanhasse. Deu à luz o bebé, cortou o cordão umbilical, colocou-o num saco e depositou-o no ecoponto. Regressou à tenda e lavou-se.

No dia 5, foi caminhar com o seu companheiro junto ao local onde tinha deixado o bebé e foram informados de que um sem-abrigo tinha encontrado um bebé num contentor, não o tendo retirado. Os dois dirigiram-se aos caixotes, mas não ouviram nada. Sara avistou o bebé no contentor amarelo onde o deixou, mas apressou o companheiro a sair dali. O bebé foi entregue às autoridades pelas 17 horas, quando outro sem abrigo o viu, e transportado para o hospital com vida. O saco e o interior do ecoponto permitiram que o bebé mantivesse a temperatura corporal, sobrevivendo desta forma.

Sara desmentiu que o parto se tenha dado quase dois dias antes de o bebé ser encontrado, mas nesse mesmo dia em que foi encontrado. A sua mãe esteve em tribunal, mas recusou-se a testemunhar. À saída, questionada pelo JN sobre se deu entrada com algum pedido para ficar com a guarda do neto, nada disse.

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