Tribunal

"Não sei se carreguei no travão ou acelerador", diz jovem que atropelou irmã de Djaló

"Não sei se carreguei no travão ou acelerador", diz jovem que atropelou irmã de Djaló

Abel Fragoso, 22 anos, respondeu esta segunda-feira de manhã, no Tribunal de Almada, pelo atropelamento mortal de Açucena Patrícia, de 17 anos, nas Festas da Moita, às primeiras horas do dia 15 de setembro do ano passado.

O arguido também está a ser julgado por 16 crimes de homicídio qualificado na forma tentada, por ter atingido várias pessoas com o seu automóvel, naquela madrugada. O Ministério Público (MP) acredita que o arguido irrompeu pela zona, onde estavam cerca de cem pessoas em festa, para se vingar de jovens que o tinham agredido antes, junto ao bar "Casa do Tio", na Travessa do Açougue, onde Açucena Patrícia viria a morrer.

Ao coletivo de juízes, Abel Fragoso negou a versão do MP, garantindo que não agiu intencionalmente. "Perdi o controlo do carro por causa da areia na estrada, tinha a carta há dois meses e não sei se carreguei no travão ou acelerador", defendeu, acrescentando que ia ao encontro de amigos, para outro bar. "Estava humilhado, confuso devido às agressões e foi quando perdi o controlo do carro", disse Abel, que admitiu conduzir a uma velocidade de 30 quilómetros por hora.

O MP refere que, em estado embriagado, o arguido ignorou a ordem de paragem por elementos da GNR e irrompeu pela Travessa do Açougue, onde atingiu várias pessoas, entre as quais a irmã de Yannick Djaló, que nada tinha a ver com as agressões anteriores e festejava com amigos o regresso às aulas. Depois, segue a acusação, o arguido engrenou a marcha atrás, para tentar nova investida contra os agressores.

O técnico de ar condicionado admitiu conduzir sob o efeito de álcool e drogas (estava numa festa desde as 17 horas a consumir haxixe e bebidas alcoólicas), mas nega ter realizado a manobra e diz que nem sequer viu os militares da GNR que o tentaram parar antes do embate. "Sei que estavam algumas pessoas na rua, cerca de 40, mas não vi os militares."

No momento da detenção, em primeiro interrogatório judicial, o arguido admitiu ter investido a viatura contra os agressores na Travessa do Açougue. Em tribunal, defendeu que apenas o disse por conselho da advogada nomeada e por não estar em plena consciência.

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