O Jogo ao Vivo

Idanha-a-Nova

Noah: Ferido, desidratado e nu, mas a caminhar e a falar

Noah: Ferido, desidratado e nu, mas a caminhar e a falar

Noah, o menino que andou 36 horas perdido por campos e mato de Idanha-a-Nova, encontrado vivo. Criança será sujeita a exames médico-legais para avaliar se esteve sozinha durante todo o tempo.

Uma salva de palmas da população saudou a partida de Proença-a-Velha, Idanha-a-Nova, dos militares da GNR e outros operacionais dos bombeiros e Proteção Civil que participaram nas buscas pelo pequeno Noah, de dois anos e meio, salvo na quinta-feira, ao fim de 36 horas perdido por campos e mato.

Pelo próprio pé, nu, percorria um caminho de terra quando foi avistado por populares que participavam nas buscas. Estava desidratado, sujo e com ferimentos nos pés e nas pernas. Ainda conseguiu dizer algumas palavras. Não corre perigo de vida. Foi assistido no local e levado para o hospital de Castelo Branco, com os pais.

A reorientação da zona das buscas, a meio da tarde de ontem, decidida pela GNR e pela Polícia Judiciária, terá sido determinante para o sucesso da operação de busca e salvamento com centenas de operacionais e voluntários civis espalhados por uma zona de mato denso e atravessada por um rio. O perímetro a inspecionar passou de dez para 20 quilómetros e o foco centrou-se numa zona para a qual apontavam as pistas recolhidas, algumas no primeiro dia. Algures entre as localidades de Proença-a-Velha, Medelim e Idanha-a-Velha.

Pistas mudam buscas

Várias peças de roupa do menino foram sendo encontradas desde o dia do desaparecimento, junto ao rio Pônsul, perto do local onde tinha sido localizada a cadela que Noah levara com ele quando saiu de casa, sozinho, depois de calçar as galochas, de manhã cedo, para ir ter com o pai, um cidadão belga, que já trabalhava nos campos. Uma bota, a fralda e uma camisola.

Estavam próximas do rio mas longe da margem, o que afastou logo a hipótese de a criança ter perdido as roupas depois de uma queda à água. A roupa foi reconhecida pela mãe, que é portuguesa, como sendo aquela com que Noah dormira. Também foi a mãe que deu pela falta do menino, por volta das oito horas.

PUB

Pegadas de criança, encontradas numa pequena faixa de terreno lamacento, na mesma área, ajudaram a consolidar a escolha da nova zona de buscas, permitindo estabelecer um provável percurso da criança. As autoridades envolvidas na busca acreditavam que teria sido a própria criança a despir as roupas, eventualmente encharcadas pela chuva, pois não havia sinais de violência física, como por exemplo vestígios de sangue nos locais.

A mudança de estratégia acabaria por revelar-se providencial. Por volta das oito horas da noite, um grupo de populares, de que fazia parte um casal inglês amigo dos pais de Noah e também residente na zona, nem queria acreditar quando se deparou com a criança nua a caminhar por um caminho de terra batida isolada e rodeada de mato. Os meios de socorro foram de imediato acionados e o menino assistido no local.

O salvamento não significa, contudo, o fim da investigação da PJ, que só fechará o caso depois de a criança ser submetida a exames médico-legais que não deixem dúvidas sobre a correspondência entre o estado em que se encontrava e os efeitos da sua odisseia de 36 horas, durante as quais não terá bebido nem comido, tendo percorrido até 10 quilómetros. Para já, nada parece contradizer a descrição feita pelos pais das circunstâncias em que a criança desapareceu.

127 elementos

Durante a manhã de quinta-feira, estiveram envolvidos nas operações de busca 127 elementos da GNR, bombeiros, proteção civil municipal e sapadores florestais.

GNR coordena

O Centro Nacional de Operações de Socorro da GNR esteve sempre a monitorizar o caso e foi acionando os meios necessários para o local do desaparecimento.

Perímetro alargado

Já da parte da tarde, foi alargado o perímetro das buscas. A GNR explicou que estas iriam ser "alargadas de fora para dentro, com recurso a veículos todo-o-terreno".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG