Apreensão

Nove estufas de canábis encontradas em Gaia e Santa Maria da Feira

Nove estufas de canábis encontradas em Gaia e Santa Maria da Feira

A PJ anunciou, esta segunda-feira, que apreendeu "tonelada e meia de liamba" produzida em dois armazéns industriais com nove estufas. Um dos espaços, entretanto abandonado, funcionava em Santa Maria da Feira e outro, desmantelado na última sexta-feira, em Vila Nova de Gaia.

Em conferência de imprensa, o coordenador de investigação criminal na PJ do Porto, declarou que os cerca de 5.300 pés de plantas de canábis sativa apreendidos nas estufas da Feira (distrito de Aveiro) e Gaia (Porto), equivalem a cerca de "uma tonelada e meia de liamba" e que a droga apreendida se destinava, principalmente, à Alemanha, França, Inglaterra, Holanda e Bélgica.

Segundo Avelino Lima, este ano tem "sido anómalo" na produção ilegal de liamba em larga escala, tendo levado a PJ a abrir este ano "seis investigações autónomas no grande Porto, três na comarca da Maia e três da comarca do Porto". Em todos os casos, os suspeitos envolvidos são asiáticos.

A causa para justificar esta tendência poderá estar relacionada com as condições climatéricas de Portugal.

"Este ano tem sido anómalo deste tipo de realidade de produção de liamba desta dimensão. Tem sido um ano anómalo. O normal era identificar pequenas situações de produção, até em campos, isto em estruturas empresarias, com um grande armazém, onde existiam nove estufas autonomizadas (...), não temos paralelo em termos históricos desta realidade que nós estamos a identificar", declarou, acrescentando que Portugal tem condições climatéricas, "de exposição solar, humidade e tudo o mais, que privilegia isto".

Avelino Lima acrescentou ainda que Portugal é atualmente um país "atrativo" para a produção de droga para fins terapêuticos.

"As empresas que se dedicam legalmente a esta produção para fins medicinais também procuraram Portugal para esse efeito", indicou.

Os cerca de 5.300 pés de plantas apreendidos encontravam-se em "diferentes estados de crescimento, divididos em nove estufas autonomizadas, com sistemas de aquecimento, extração de ar e ventilação, num processo "altamente sofisticado de produção" e de "acondicionamento em vácuo", para posterior exportação por uma "organização asiática" que se dedicava à produção em larga escala de liamba.

Segundo Avelino Lima, a PJ além de ter desmantelado a organização criminosa, com o apoio da Europol, deteve também uma mulher de 42 anos e um homem com 47 anos, ambos cidadãos de "nacionalidade de um país asiático", que ficaram com a medida de coação de prisão preventiva.

O homem vai aguardar o desenrolar do processo judicial na prisão de Custoias e a mulher foi para a prisão de Santa Cruz do Bispo.

"O homem é residente em Portugal há cerca de 20 anos" e referiu, à Judiciária, que tinha como profissão ser "empregado de mesa" e a mulher estava legalizada em Espanha e, por isso, com acesso ao espaço Schengen.

A forma como foi feita a apreensão da liamba -- com as plantas em várias fases de crescimento -, torna difícil saber qual o valor no mercado, mas Avelino Lima considerou que teria um valor de "largos milhares de euros".

A PJ tem uma "forte convicção" de que estaria a haver furto de eletricidade à EDP, porque aquele negócio "obriga a consumos muito elevados", para as estufas.

A PJ acrescentou ainda que as pessoas que recebiam a droga enviada do Norte de Portugal eram igualmente indivíduos de países asiáticos, designadamente chineses, tal como as pessoas que foram detidas e que alegadamente mantinham a organização criminosa agora desmantelada.

A investigação policial, que arrancou há dois meses, foi originada por uma exportação de uma encomenda de liamba com cerca de 10 quilos para a Alemanha que seguiria por correio especial das empresas, como por exemplo a FedEx ou a Chronopost.

"Temos várias encomendas apreendidas e as quantidades rondam sempre os oito a 10 quilos de liamba", acrescentou.

As plantas apreendidas vão sofrer o processo de qualquer droga, ou seja, depois do seu exame, serão destruídas num prazo de cinco dias.

Segundo a PJ, a organização criminosa "investiu bastante [dinheiro] a montar a estrutura toda, investiram mesmo muito dinheiro. Tem tudo o que é necessário para fazer uma produção altamente profissional e, até, empresarial".