Operação Marquês

"Nunca na minha vida corrompi ninguém", diz Ricardo Salgado

"Nunca na minha vida corrompi ninguém", diz Ricardo Salgado

O interrogatório do ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES) na instrução da Operação Marquês terminou pelas 15.45 horas desta segunda-feira, menos de duas depois de ter tido início. "Nunca na minha vida corrompi ninguém", assegurou aos jornalistas, Ricardo Salgado, à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

O banqueiro adiantou ainda que respondeu apenas a perguntas sobre a sua relação com Zeinal Bava, ex-administrador da Portugal Telecom (PT). "Não me perguntaram nada sobre José Sócrates", acrescentou.

O Ministério Público (MP) acusou o banqueiro de 21 crimes, entre os quais três de corrupção ativa. Salgado é suspeito de ter pago, no total, mais de 65 milhões de euros em "luvas" ao antigo primeiro-ministro e aos ex-administradores da PT Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, como contrapartida por um alegado favorecimento do BES nas decisões tomadas pela empresa de telecomunicações. São os quatro arguidos neste processo.

O antigo líder do BES foi chamado a depor pelo juiz de instrução Ivo Rosa, depois de o magistrado ter considerado que as declarações prestadas por Salgado no âmbito de outros inquéritos judiciais não poderiam ser validadas como prova na Operação Marquês, como pretendia o MP.

O banqueiro não requerera a abertura da instrução - destinada a apurar se existem indícios suficientes para o processo seguir para julgamento -, mas, no entender de Ivo Rosa, o seu interrogatório justifica-se por, em causa, estarem crimes que abrangem Zeinal Bava, que pediu a apreciação da sua situação nesta fase.

No centro da questão está um contrato datado de 20 de dezembro de 2010, usado por Salgado para explicar o pagamento, entre 2007 e 2010, de 25,2 milhões de euros ao então gestor da PT. Os arguidos alegam que o documento se inseria num programa de incentivo aos quadros superiores da companhia, mas, para o MP, tratou-se apenas de uma forma de esconder os alegados atos ilícitos. O dinheiro terá sido transferido em três parcelas da Espírito Santo Enterprises para contas controladas por Bava na Suíça e em Singapura. Em 2016, o ex-gestor devolveu 18,5 milhões de euros à massa insolvente da Espírito Santo Internacional, por ser, sustenta, a credora daquele montante.

No seu interrogatório, a 26 de junho, Bava reiterou a sua inocência, alegando que, em causa, estão decisões que não foram exclusivamente suas mas sim da administração da PT. Entre os dossiers em que, segundo o MP, o BES terá sido favorecido estão a rejeição da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela Sonae sobre a companhia e a confirmação do spin-off (cisão) da PT Multimédia.

O processo Operação Marquês conta, no total, com 28 arguidos a quem o MP imputou, ao todo, 188 crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, entre outros.

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