"Operação Teia"

O que se sabe sobre a detenção dos históricos do PS e do presidente do IPO

O que se sabe sobre a detenção dos históricos do PS e do presidente do IPO

A Polícia Judiciária deteve, esta quarta-feira, o presidente do IPO, os autarcas de Santo Tirso e de Barcelos e também Manuela Couto, empresária e esposa do autarca tirsense.

São suspeitos de viciar adjudicações diretas sempre a favos das empresas de Manuela Couto.

Em causa estão crimes de corrupção, tráfico de influência e participação económica em negócio no âmbito da contratação pública. Em comunicado, a PJ refere que a investigação, "centrada nas autarquias de Santo Tirso, Barcelos e Instituto Português de Oncologia do Porto, apurou a existência de um esquema generalizado, mediante a atuação concertada de autarcas e organismos públicos, de viciação fraudulenta de procedimentos concursais e de ajuste direto com o objetivo de favorecer primacialmente grupos de empresas, contratação de recursos humanos e utilização de meios públicos com vista à satisfação de interesses de natureza particular".

Advogado reage

O advogado do autarca de Barcelos, Miguel Costa Gomes, considerou que a detenção do seu cliente é "inadmissível" e "incompreensível".

"É inadmissível que um autarca deste país seja detido por um crime que não conhece, depois de terem sido feitas buscas de onde não foi retirado nenhum documento, nenhuma informação. Foram feitas buscas nos respetivos computadores, nos iPads e nos telefones e não foi recolhida nenhuma informação e ainda assim este autarca, que é uma pessoa honrada, está sob detenção até ser levado a um juiz de instrução criminal para prestar declarações", disse Pedro Marinho Falcão, à porta da Polícia Judiciária, no Porto, onde está o seu cliente.

Autarquia confirma buscas

Em comunicado, a autarquia de Santo Tirso afirma que "desconhece o teor das informações que estão a ser veiculadas pela comunicação social", mas "confirma que estão a decorrer diligências inspetivas por parte da Polícia Judiciária na Câmara".

No mesmo documento, indica que pelos inspetores da PJ "estão a ser solicitadas informações sobre três assuntos: utilização de viaturas municipais por parte de elementos do executivo municipal, viagens de trabalho realizadas pelo executivo municipal, contratação de dois projetos de arquitetura".

Buscas em Matosinhos

Para além das buscas nas autarquias diretamente visadas na investigação, a PJ também recolheu documentos na Câmara de Matosinhos. De acordo com informações recolhidas pelo JN, na Câmara de Matosinhos, os inspetores recolheram documentos no gabinete de apoio à presidência, onde trabalha, como chefe de gabinete, Marta Laranja Pontes, filha do presidente do IPO.

Ainda pelo que apuramos, a Câmara de Matosinhos nunca teve contratos com as empresas de comunicação de Manuela Couto, pelo que as buscas apenas terão que ver com a filha do presidente do IPO, casada com Tiago Maia, diretor da MatosinhosHabit. O objetivo da recolha de informação do gabinete de apoio à presidência não é ainda conhecido.