Lisboa

O que se sabe sobre a mulher que deixou filho recém-nascido no lixo

O que se sabe sobre a mulher que deixou filho recém-nascido no lixo

Está em prisão preventiva a jovem, de 22 anos, suspeita de deixar o filho recém-nascido num contentor do lixo, em Lisboa, na terça-feira. O bebé recupera bem e deverá ser entregue a uma instituição de acolhimento, assim que tiver alta hospitalar.

A mãe da criança chama-se Sara Patrícia, tem 22 anos e é cidadã cabo-verdiana. A jovem vive numa tenda junto à estação de Santa Apolónia, em Lisboa, num local onde dormem cerca de duas dezenas de pessoas sem-abrigo.

Aos inspetores da Judiciária, Sara terá confessado ter atuado sozinha ao procurar desfazer-se do filho - uma criança saudável, que foi assistida e ainda permanece no Hospital de D. Estefânia, em Lisboa, escreve o jornal digital "Cascais24".

Depois de detida pelos inspetores da Polícia Judiciária (PJ) de Lisboa e Vale do Tejo, Sara Patrícia foi conduzida à cadeia de Tires, onde pernoitou antes de ser submetida a primeiro interrogatório judicial, sexta-feira à tarde, no Campus de Justiça, em Lisboa, que decretou a prisão preventiva da jovem.

Vivia numa tenda com um companheiro mais velho

Sara vivia numa tenda há alguns meses, juntamente com Sydney, um companheiro com cerca de 40 anos, revela a edição deste sábado do "Expresso".

Segundo aquele semanário, Sara não era conhecida entre os técnicos e voluntários que habitualmente dão apoio aos sem-abrigo em Lisboa. Sydney, que segundo apurou o "Expresso" é conhecido por ter uma cultura acima da média, está referenciado pelas instituições de apoio, já tinha vivido na rua, mas depois deixou de ser visto e terá voltado recentemente.

Não se sabe se Sydney é o pai da criança, que segundo a Polícia Judiciária é um homem que "não se encontra na cidade ou na região" de Lisboa.

Entre os sem-abrigo que vivem naquela zona de Lisboa junto ao rio Tejo, do outro lado da linha de comboio, perto da estação de Santa Apolónia, a gravidez de Sara passou despercebida. "Nunca declarou ou manifestou a gravidez" a ninguém, revelou a Polícia Judiciária, na sexta-feira.

Estava consciente quando foi detida

Detida, esta sexta-feira de madrugada, "consciente" e "sem oferecer resistência", a jovem não tem antecedentes criminais, indicou Paulo Rebelo, chefe da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo da PJ, em conferência de imprensa realizada na sede desta polícia, em Lisboa.

Apanhada na rua, nas imediações do local onde o bebé foi encontrado, não apresentava qualquer dano emocional e psíquico aparente resultante da situação em causa nem sinais de consumo de drogas, acrescentou a PJ. Foi também ali que os inspetores da PJ encontraram vestígios do parto, nomeadamente roupas, explicou o dirigente policial.

A jovem cabo-verdiana, terá dado à luz não muito longe do contentor onde acabou por tentar desfazer-se da criança que veio a ser descoberta por Manuel Xavier, outro sem-abrigo, que foi reconhecido do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa pela sua "atuação humanística".

De acordo com a PJ, a jovem nunca planeou ficar com o bebé, tendo conseguido esconder a gravidez das pessoas mais próximas, os outros sem-abrigo que vivem naquela zona.

Sara Patrícia está indiciada por homicídio qualificado, na forma tentada. Em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Tires, a jovem deverá permanecer nos próximos 15 dias numa cela individual, em período de observação, revela ainda o "Cascais24."

Crime de abandono, não homicídio, defende magistrada

A presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC) defendeu, na sexta-feira, que a jovem sem-abrigo que deitou na terça-feira o filho recém-nascido no lixo, em Lisboa, expôs o bebé ao abandono sem querer matá-lo.

"Esta mãe está muito sozinha, muito desesperada, sem apoio familiar, senão não tinha praticado o que praticou", disse a magistrada à Lusa, considerando que o crime em causa é "exposição ao abandono" e não tentativa de homicídio.

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