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O terror da invasão a Alcochete contado por Varandas

O terror da invasão a Alcochete contado por Varandas

O atual presidente do Sporting foi alvo de uma tocha arremessada contra o seu peito por um homem encapuzado, que estaria a impedir a entrada de pessoas no balneário, durante o ataque à Academia de Alcochete.

"Desviei-me e a tocha atingiu o preparador físico Mário Monteiro", disse Frederico Varandas, esta sexta-feira, testemunhando no Tribunal de Monsanto sobre as agressões a jogadores e staff na Academia de Alcochete.

"Estava no gabinete quando isto aconteceu, apercebo-me pelo barulho das portas a bater, sons de gritos, murros e pontapés, de que algo anormal estava a acontecer". O então diretor clínico do clube de Alvalade, que se identificou aos juízes como médico militar, saiu do gabinete, viu pessoas do staff a correr na sua direção e "uma fumarada tremenda".

"A visibilidade estava muito reduzida devido às tochas e ao fumo. E, quando chego perto da entrada, vejo um encapuzado a sair. Acende uma tocha, e a cerca de cinco metros, atira-me a tocha, eu desvio-me e ela acerta no Mário Monteiro". Frederico Varandas ouviu gritos dos agressores, que lançavam ameaças aos jogadores, pressionando-os a ganhar o próximo jogo.

Quando chegou perto do balneário, contou, viu Bas Dost agarrado à cabeça: "Dirigi-me à sala de enfermagem para assistir o Bas Dost e, depois de garantir que o jogador estava a ser cuidado, saí para perceber se havia mais feridos". Foi nesse momento que os agressores fugiram.

No balneário, viu muito fumo, jogadores em pânico, uma marquesa e um garrafão de água no chão, e "tudo virado do avesso". Depois de sair do balneário e do edifício, Varandas viu Jorge Jesus com ferimentos na cara, relatou.

Ambiente no final da Taça era de terror

No encontro para a final do Jamor, quatro dias depois do ataque, Frederico Varandas sentiu que os jogadores estavam aterrorizados e preferiam estar em casa. "O ambiente era de terror, sentia que os jogadores queriam vencer, mas não estavam psicologicamente preparados e à mínima contrariedade iam logo ao chão", contou o atual presidente do Sporting.

Durante os dias que separaram as agressões e o jogo da final da Taça de Portugal, Frederico Varandas recebeu atletas na sua clínica em Lisboa: "Eles recusaram regressar à Academia e disponibilizei a minha clínica para manterem a forma física, mas os jogadores estavam muito traumatizados com o que tinha ocorrido".

"Havia um sentimento generalizado de revolta, pânico, desespero e choque entre todos os atletas", afirmou Frederico Varandas.

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