E-Toupeira

Oficial de justiça admite ter recebido bilhetes para o Benfica, mas nega favorecimento

Oficial de justiça admite ter recebido bilhetes para o Benfica, mas nega favorecimento

Um dos dois oficiais de justiça acusados de, em 2017 e 2018, terem sido subornados pelo então assessor jurídico da SAD do Benfica, Paulo Gonçalves, para espiar processos judiciais rejeitou, esta quarta-feira, em tribunal, a prática dos crimes, mas admitiu que aceitou bilhetes do jurista para jogos no Estádio da Luz, em Lisboa.

Os ingressos, garantiu Júlio Loureiro, destinaram-se à sua filha, uma vez que o funcionário judicial tinha direito, dado ser à data observador de árbitros, a ter convites para si.

No primeiro dia do julgamento do processo e-Toupeira, o arguido, acusado de corrupção passiva, rejeitou, contudo, ter recebido quer bilhetes para partidas que o Benfica disputou fora de casa quer camisolas do clube. Estas últimas terão sido dadas, em contrapartida, por Paulo Gonçalves a um outro casal que o acompanhou a um jogo na Luz.

"O Dr. Paulo Gonçalves é das pessoas mais simpáticas e cortês que conheço", respondeu Júlio Loureiro, ao ser questionado sobre o porquê da oferta. O antigo assessor jurídico da SAD do Benfica, que foi ilibada na instrução, e o observador de árbitros conheceram-se num jogo na Madeira em 2015 e desde então passaram a falar "sobre futebol".

Foram-se aproximando e, a determinada altura, o próprio oficial de justiça chegou a oferecer a Paulo Gonçalves caixas de vinho. "Ofereço vinho verde às pessoas que considero amigas", explicou.

Júlio Loureiro, de 46 anos, foi o único arguido que, esta quarta-feira, quis prestar declarações em tribunal. Paulo Gonçalves, acusado de 50 crimes, incluindo corrupção ativa e violação de segredo, e o oficial de justiça José Augusto Silva, acusado de 75, entre os quais corrupção passiva e acesso ilegítimo, optaram por se remeter, para já, ao silêncio.

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No depoimento que durou toda a manhã, Júlio Loureiro assegurou ainda que "todos os clubes disponibilizam convites" para jogos a observadores de árbitros, incluindo os que já cessaram funções. Confrontado com o facto de terem sido encontrados processos judiciais no seu computador pessoal, o oficial de justiça retorquiu que os recebeu por WhatsApp, sem se recordar de quem.

"Todos os processos que andam a correr [no WhatsApp] eu vou guardando, porque gosto de ver", concluiu o funcionário judicial.

A sessão continua, esta quarta-feira à tarde, no Campus de Justiça de Lisboa, com a inquirição das primeiras testemunhas.

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