Justiça

Patrão do Grupo Lena partilhava contas com amigo de Sócrates

Patrão do Grupo Lena partilhava contas com amigo de Sócrates

Joaquim Barroca Rodrigues seria uma das pessoas autorizadas a movimentar as contas na Suíça onde estiveram depositados 23,320 milhões de euros alegadamente pertencentes a José Sócrates.

As autoridades helvéticas forneceram esta informação ao Ministério Público português, que já conhecia a titularidade formal das contas por Carlos Santos Silva, amigo do ex-primeiro-ministro.

Este dado, aliado ao facto de parte importante do dinheiro ter tido origem em transferências dos irmãos Barroca, administradores e acionistas do Grupo Lena, e ainda à suspeita de que aquele grupo pagou luvas ao ex-primeiro-ministro, levou à detenção de Joaquim Barroca e à sua apresentação para interrogatório junto do juiz Carlos Alexandre. As medidas de coação são conhecidas esta sexta-feira.

O Ministério Público (MP) voltou a efetuar buscas em instalações de empresas do Grupo Lena e também procurou provas nas casas dos suspeitos de corrupção ativa.

Neste contexto, é descrita pela acusação uma relação de proximidade entre Sócrates e os irmãos Barroca que terá possibilitado ao conglomerado de Leiria contratos de mais de 200 milhões de euros, só entre 2007 e 2011.

De acordo com informações recolhidas pelo JN, Joaquim Barroca, que tem o cargo de vice-presidente, seria uma das pessoas que, na Suíça, poderiam movimentar o pecúlio que, ao abrigo do Regime Extraordinário de Regularização Tributária de 2010, regressou a Portugal - os 23,320 milhões. As principais "offshores" que titulavam a fortuna detida formalmente pelo amigo de Sócrates eram a Brickhurst International Ltd. e a Pinehill Finance Ltd. O dinheiro estava depositado em contas no banco UBS, em Zurique.

Parque Escolar, TGV e PPP

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Quanto à origem das supostas contrapartidas, o MP tem apontado os contratos que envolvem entidades públicas no âmbito da Parque Escolar, do TGV e das Parcerias Público-Privadas (PPP) rodoviárias, sem individualizar.

O procurador Rosário Teixeira argumenta que, para se demonstrar crimes de corrupção, não é exigível o estabelecimento de uma relação direta entre o ato ilícito do funcionário público - neste caso, o ex-primeiro-ministro e eventuais ex-governantes, suspeitos de coautoria dos crimes - e as vantagens recebidas em troca. Este argumento tem sido contestado pelos advogados João Araújo e Pedro Delille e pelo próprio Sócrates, que se queixa de não lhe serem apontados concretos atos de corrupção.

Detido anteontem, o administrador do Grupo Lena começou ontem de manhã a ser interrogado. Defendido pelo advogado Alfredo Castanheira Neves, o interrogatório terminou pelas 20 horas. Ao que apurou o JN, há algum tempo que os irmãos Barroca vinham preparando a possibilidade de serem interrogados e constituídos arguidos, tendo vindo a reunir-se com aquele causídico de Coimbra.

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