Guarda

Pedro Dias remeteu-se ao silêncio em tribunal e ficou em prisão preventiva

Pedro Dias remeteu-se ao silêncio em tribunal e ficou em prisão preventiva

Pedro Dias, suspeito dos crimes de Aguiar da Beira, vai ficar em prisão preventiva, foi anunciado esta quinta-feira à noite por uma funcionária do tribunal da Guarda.

A medida foi justificada "dado o elevado perigo de fuga, continuação da atividade criminosa, perturbação do inquérito" e "alarme social".

O homem, de 44 anos, está acusado da autoria material de dois crimes de homicídio qualificado, três de homicídio qualificado na forma tentada, três crimes de sequestro e um de roubo. A conselho dos advogados, Pedro Dias remeteu-se ao silêncio, esta quinta-feira, quando presente em tribunal.

A equipa de advogados de Pedro Dias, o casal Rui Silva Leal e Mónica Quintela, considerou que a medida de coação aplicada faz sentido.

"Tendo em conta tudo o que foi relatado na comunicação social, durante estas semanas, consideramos que era expectável a aplicação da medida de prisão preventiva", disse Mónica Quintela, esta quinta-feira à noite, à saída do Tribunal da Guarda, onde Pedro Dias foi ouvido.

Mónica Quintela anunciou que vai analisar a fundamentação da medida e que deverá recorrer da prisão preventiva. "O despacho da aplicação das medidas de coação foi lido, ainda não temos acesso a ele em suporte físico, em suporte de papel, nem em qualquer tipo de suporte, portanto, quando tivermos acesso ao despacho, depois, no seu tempo certo e na sede própria, iremos enquadrar e recorrer desse despacho", disse aos jornalistas a advogada Mónica Quintela.

Rui Silva Leal, também advogado do arguido, afirmou aos jornalistas, à saída do Tribunal, que tem esperança na reversão da medida. "Quando recorremos, não recorremos em vão, é porque entendemos que temos razão", disse, explicando que a defesa tem "30 dias para interpor recurso" e o Ministério Público tem 30 dias para responder ao recurso, "depois sobe ao Tribunal da Relação" e "há mais 30 dias para decidir".

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A equipa de advogados mostrou incómodo pela forma como Pedro Dias foi levado a tribunal, entrando pela porta principal. "Não vi qualquer valor nisso, não há aqui qualquer tipo de serviço público", disse Mónica Quintela. "Poderia ter entrado pelas traseiras, por uma porta destinada aos arguidos, que fica a dois metros da cela. Não se compreende porque entrou pela porta da frente", tendo até sido insultado.

Sobre o processo, Mónica Quintela pouco adiantou. "A única coisa que podemos dizer é que o arguido se remeteu ao silêncio e que quando a defesa tiver acesso integral aos autos, o arguido falará na sua devida altura", declarou.

O homem, de 44 anos, está acusado da autoria material de dois crimes de homicídio qualificado, três de homicídio qualificado na forma tentada, três crimes de sequestro e um de roubo.

Pedro Dias entregou-se na terça-feira à noite às autoridades e, em direto na RTP, foi visível estar algemado e a entrar num carro da polícia, que o transportou para as instalações da Polícia Judiciária (PJ) da Guarda. Também um jornalista do Diário de Coimbra estava presente na detenção.

Da PJ, onde chegou pelas 00:00 de terça-feira, foi conduzido para o Estabelecimento Prisional daquela cidade, cerca das 03:00 de quarta-feira, onde permaneceu até ser ouvido pelo Tribunal, esta quinta-feira.

Segundo os advogados que representam o detido, na PJ foi sujeito a questões processuais, como a constituição como arguido, a leitura dos deveres e dos direitos e "todas as formalidades próprias para este caso".

Pedro Dias entregou-se às autoridades às 19 horas de terça-feira, a escassos metros da Câmara Municipal de Arouca e perto da casa dos pais.

O suspeito estava desaparecido desde 11 de outubro, data em que dois militares da GNR foram atingidos a tiro, em Aguiar da Beira, no distrito da Guarda. Um morreu e um outro ficou ferido.

Na mesma madrugada, um homem morreu e a mulher ficou gravemente ferida, também alvejados a tiro na viatura em que seguiam.

A PJ da Guarda adiantou em comunicado que o detido é suspeito da autoria de cinco crimes de homicídio qualificado, três dos quais na forma tentada, dois crimes de sequestro, pelo menos dois de roubo e um crime de furto, entre outros, ocorridos desde o dia 11 de outubro e o dia de terça-feira, nas localidades de Aguiar da Beira, Arouca (Aveiro) e Vila Real.

No âmbito das investigações, a PJ também constituiu arguida uma mulher, de 61 anos, sobre a qual recaem "fundadas suspeitas de favorecimento pessoal" ao detido.

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