Bragança

Pena suspensa para agricultor que ameaçou incendiar agências bancárias

Pena suspensa para agricultor que ameaçou incendiar agências bancárias

O agricultor que ameaçou incendiar agências do BCP, caso não lhe fosse pago um milhão de euros, foi condenado a três anos de prisão com pena suspensa.

Foi condenado a três anos de prisão com pena suspensa por igual período o agricultor de Vinhais que estava acusado da prática, na forma tentada, de um crime de extorsão agravado por ter enviado várias cartas para o Banco Comercial Português, em Bragança e no Porto, entre maio e julho de 2019, com ameaças. O homem de 56 anos prometia causar prejuízos se não lhe fosse feita uma transferência bancária de 500 mil euros, primeiro, e de um milhão, num segundo momento.

No acórdão proferido esta quinta-feira no Tribunal de Bragança, o juiz explicou que a pena, que tinha uma moldura penal que chegava aos 15 anos de prisão, foi atenuada porque o arguido não consumou o crime. Mesmo assim, o agricultor ficará ainda sujeito a um regime de prova para cumprir um plano que será elaborado pela Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, que tanto pode ser de consultas como de formação.

O Tribunal deu como provado que o homem foi agravando as ameaças, ao ponto de, a determinada altura, ter deixado um reservatório com gasolina à entrada da agência do BCP em Bragança. O coletivo de juízes considerou que as ameaças causaram medo às funcionárias do banco, de tal maneira que as medidas de segurança da agência bancária foram reforçadas.

Enviou cartas pelos correios com aviso de receção

O agricultor alegava que tinha dificuldades económicas e exigia a transferência do dinheiro sob pena de incendiar várias sucursais daquele banco. Inicialmente, o arguido foi à sucursal de Bragança dizer que queria ser ressarcido no valor de nove mil euros, por causa de alegados levantamentos efetuados das suas contas, que atribuía ao banco (tempo antes, um funcionário do mesmo tinha sido julgado por desvio de dinheiro).

A certa altura, começou a fazer ameaças verbais e depois por escrito. As cartas eram assinadas por si e enviadas pelos correios com aviso de receção, pelo que foi facilmente identificado.

O processo chegou à justiça depois de o agricultor ter enviado uma carta para o diretor daquele banco, no Porto, onde atirava as mesmas ameaças.

Em Tribunal, o agricultor confessou as ameaças e o envio das cartas mas negou querer fazer mal aos funcionários ou danificar o edifício do banco, acrescentando que só queria forçar a direção a dialogar com ele. Pediu ainda desculpa pelas atitudes, referindo que só depois de ter escrito as cartas é que se apercebeu que essa não era a forma mais correta de agir.

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