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Penas de prisão para agressores de casal homossexual em Coimbra

Penas de prisão para agressores de casal homossexual em Coimbra

Pai, mãe e filho acusados de agredir um casal homossexual em Coimbra, em julho de 2018, foram esta quinta-feira condenados a penas de prisão e a indemnizarem as vítimas.

"Foi uma condenação exemplar", disse ao JN Duarte Duarte, um dos dois jovens agredidos, após a leitura da sentença no Tribunal de Coimbra.

Andreia Maia, de 42 anos, foi condenada a dois anos de prisão efetiva e o filho, de 20 anos, que não esteve presente no julgamento (segundo o advogado está a trabalhar em França) foi condenado a três anos de prisão também efetiva, devido a ambos terem antecedentes criminais recentes e graves, revelou Duarte ao JN.

O marido da arguida, Robim Monteiro, de 66 anos, foi condenado a uma pena de três anos de prisão, suspensa, por ter antecedentes criminais mais antigos do que os outros dois, acrescentou.

Os três arguidos foram ainda condenados a pagar indemnizações de dez mil euros a Duarte e 7500 euros ao seu namorado Daniel.

"Foi exemplar", sublinhou Duarte em declarações ao JN, confessando alguma surpresa com a sentença: "não contava com prisão efetiva e indemnização, ou uma ou outra, mas não contava com as duas". Considerando que "a sentença foi justa", o jovem acrescentou que o julgamento foi "excelente" - "quiseram tornar este caso um exemplo de condenação para um crime contra a comunidade LGBT".

No momento da leitura da sentença, tanto o casal de arguidos como os cerca de 20 familiares presentes não esconderam o "choque, tanto da pena como do valor da indemnização".

Pai, mãe e filho estavam acusados pelo Ministério Público de ofensa à integridade física qualificada, por terem humilhado e agredido os dois jovens do Porto junto do centro comercial Alma, em Coimbra, "devido à orientação sexual" das vítimas, em 14 de julho de 2018.

Durante o julgamento, Duarte, de 26 anos, afirmou que ainda tem sequelas das agressões na cabeça - foi atingido com um alicate. O seu namorado, Daniel, contou que teve pesadelos nas semanas a seguir e que ambos mudaram a maneira de estar em locais públicos, evitando carícias.