Almada

Piloto que aterrou na Caparica acusado de duplo homicídio por negligência

Piloto que aterrou na Caparica acusado de duplo homicídio por negligência

O piloto da aeronave Cessna 162 que a dois de agosto de 2017 aterrou na praia de São João da Caparica, em Almada, provocando três feridos e duas vítimas mortais, está acusado de dois crimes de homicídio por negligência e ainda de um crime de condução perigosa de meio de transporte por ar.

O MP considera que este "violou as regras da aviação e o dever objetivo de cuidado que as circunstâncias concretas inerentes a uma pilotagem prudente impunham e que lhe eram exigíveis".

As vítimas mortais, José Lima, de 56 anos, e Sofia António, de oito, foram atingidos pela aeronave durante a aterragem e tiveram morte imediata. O MP de Almada acusa ainda outros seis arguidos, três da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) e outros três da escola Aerocondor pelo crime de atentado à segurança de transporte por ar, agravado pelo resultado morte. São estes Luís Silva Ribeiro (presidente da ANAC), o diretor de Segurança Operacional Vítor Rosa e o chefe do departamento de Licenciamento de Pessoal e de Formação José Queiroz, bem como Ana Vasques (administradora da escola de aviação Aerocondor), Ricardo Olim Freitas (diretor de Instrução) e José Coelho (diretor de Segurança).

O MP acusa os funcionários da Aerocondor de "não terem adotado as medidas necessárias a garantir a segurança da atividade da Escola e, por causa dessa omissão, colocaram em causa a segurança do voo de treino efetuado naquela data, sendo que tal omissão foi apta a causar aquele desastre". Já sobre a atuação dos arguidos que exercem funções na ANAC, o MP considera que estes "violaram deveres de promoção da segurança na aviação, de fiscalização e de supervisão das escolas de aviação e ainda de controlo de revalidação dos certificados de instrutores, sendo que tais omissões foram aptas a pôr em causa a segurança da aviação e daquele voo em concreto e a causar um desastre como o ocorrido".

Na tarde de quarta feira, dois de agosto, a avioneta levantou voo do aeródromo de Tires, em Cascais, cerca das 16.30 horas e seguia para Évora num voo de treino da escola Aerocondor, mas um problema no motor fez o piloto comunicar a emergência à torre de controlo em pleno Rio Tejo e tentar depois aterrar em solo firme, na praia de São João da Caparica.

José Lima, morador em Cacilhas, foi a primeira vítima mortal da aterragem de emergência da aeronave. Natural de Viseu, o sargento na reserva da Força Aérea Portuguesa, com 56 anos, deixa mulher, com quem residia há 30 anos em Almada junto ao terminal fluvial para Lisboa, duas filhas e outras duas netas.

Sofia António, oito anos, moradora em Odivelas, tinha ido passar uns dias à casa dos avós, na Costa da Caparica, mas perdeu a vida logo a seguir a José Lima. Após embater no ex militar da Força Aérea, a avioneta ganhou altitude, mas perdeu-a novamente, acertando na criança que gozava o dia com os pais e primos. Quando imobilizaram a aeronave, os dois ocupantes, instrutor e instruendo, agora ilibado de qualquer crime, foram imediatamente cercados pela população em fúria. Poucos minutos depois, às 16h58, chegaram as autoridades, Polícia Marítima de Lisboa, INEM, bombeiros de Cacilhas e Trafaria e GNR.

Outros Artigos Recomendados