Processo EDP

Pinho nega "ter recebido um euro" do BES/GES que não lhe "fosse devido"

Pinho nega "ter recebido um euro" do BES/GES que não lhe "fosse devido"

Antigo titular da pasta de Economia (2005-2009) é suspeito de ter sido subornado por Ricardo Salgado, ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES), para beneficiar, no exercício de funções, esta instituição e o Grupo Espírito Santo (GES).

"Nego ter recebido um euro que seja do BES ou do GES que não me fosse devido", afirmou, ao "Expresso", Manuel Pinho, falando a partir de Albufeira, onde se encontra, desde 15 de dezembro de 2021, em prisão domiciliária.

A medida de coação foi decretada na quarta-feira pelo juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal, e pode ser revogada se o ex-ministro prestar uma caução de seis milhões de euros. O seu advogado, Ricardo Sá Fernandes, já fez saber que o seu cliente "não tem" aquele montante e, por isso, irá ficar preso em casa enquanto a medida vigorar. Manuel Pinho poderia, em alternativa, dar património ou outros bens, incluindo de terceiros, como garantia.

Interrogado na terça-feira por Carlos Alexandre, em Lisboa, o antigo governante recusou explicar o porquê de, enquanto esteve no primeiro Governo de José Sócrates, ter recebido uma mesada da esfera do BES/GES, remetendo essa justificação para "quando for adequado". "Vamos ter calma. Se querem acusar, acusam, e, na altura, dá-se a resposta certa", precisou ao semanário.

O Ministério Público acredita que Manuel Pinho foi, paralelamente, corrompido por António Mexia, então presidente da EDP, com a promessa de uma carreira académica nos Estados Unidos da América para beneficiar a elétrica.

"Para mim, seria totalmente insuportável se um dia fosse provado que favoreci a EDP, ou o BES, ou seja quem for", retorquiu ao "Expresso". António Mexia e Ricardo Salgado são também arguidos e têm rejeitado, igualmente, as acusações.

PUB

O chamado processo das rendas da EDP foi aberto em 2012 e está ainda em fase de investigação, desconhecendo-se quando será deduzida acusação. Só depois de tal acontecer o caso seguirá, eventualmente, para instrução e/ou julgamento.

Em causa podem estar crimes de corrupção, branqueamento e fraude fiscal. A atuação dos arguidos terá, segundo o Ministério Público, causado prejuízos de 1,2 mil milhões de euros ao país.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG