Operação Terapia

Três médicos e dois enfermeiros detidos em esquema com terapias para covid-19

Três médicos e dois enfermeiros detidos em esquema com terapias para covid-19

A Polícia Judiciária está a realizar uma grande operação visando clínicas de ozonoterapia. Em causa estão crimes de corrupção ativa e passiva, burla qualificada, falsificação de documento e propagação de doença.

Ao início da tarde, já haviam sido detidos três médicos e dois enfermeiros. Ao que o JN apurou, o esquema terá lesado a ADSE em cerca de 500 mil euros. As autoridades ainda estão a apurar o dano junto de seguradoras e outros subsistemas de saúde.

Estão no terreno cerca de 50 elementos da PJ, em estreita colaboração com o MInistério da Sáude e a Ordem dos Médicos. Há em curso operações de buscas e apreensões em clínicas médicas, domicílios e sedes de empresas.

Segundo um comunicado da Polícia Judiciária, em causa estará um esquema fraudulento de prestação de tratamentos não comparticipados - ozonoterapias - mas que eram faturados como atos comparticipados, sendo assim reembolsados por subsistemas de saúde, nomeadamente a ADSE.

As clínicas em causa não tinham qualquer convenção ou protocolo com a ADSE e as ozonoterapias eram realizadas por profissionais não habilitados para tal.

Cura e imunidade à covid-19

A PJ tem indícios de que os suspeitos convenciam utentes de que a ozonoterapia era eficaz no tratamento do covid-19 e que permitia ganhar imunidade à doença. Com estas "práticas pouco esclarecedoras", os suspeitos exploravam a "fragilidade e vulnerabilidade de pessoas receosas do vírus ou mesmo infetadas"

Os suspeitos sabem ainda que "com a prática destes atos podem contribuir para a propagação de doença contagiosa, criando deste modo perigo para a vida ou perigo grave para a integridade física das vítimas e de terceiros".

Testes sem licença e condições

"Nestas clínicas realizam-se ainda análises clínicas, designadamente para deteção de infeção por SARS-Cov-2, sem para tal estarem licenciadas ou reunirem as condições necessárias, designadamente de direção clínica", acrescenta a PJ.

No decurso desta operação houve já cinco detenções - dois homens com 35 e 57 anos de idade e três mulheres com 32, 59 e 62 anos de idade - "todos profissionais com ligação ao ramo da saúde, que irão ser presentes às autoridades judiciárias competentes para primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação tidas por adequadas".

Esta operação policial da Unidade Nacional de Combate à Corrupção está a ser realizada por 50 elementos da PJ, com a colaboração da Ordem dos Médicos. As diligências estão a ser acompanhadas por um Procurador da República do DCIAP e por um juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal.

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